19 de junho de 2018

Lições sobre os erros do antifascismo europeu

Muito interessante o artigo “Cinco lições de história para antifascistas”, de Mark Bray, publicado na Revista Serrote. O texto fala da Europa do começo do século passado. Naquele momento, centro do capitalismo mundial. Portanto, são muitas e profundas as diferenças com a situação atual no Brasil. Mas vejamos:

Como muitos socialistas e comunistas a princípio consideravam o fascismo uma variante da política contrarrevolucionária tradicional, eles se concentraram muito mais uns nos outros do que em seus inimigos fascistas.

(...)

Em 1921, os socialistas italianos assinaram o Pacto de Pacificação com Mussolini, e nem eles nem os comunistas achavam que a ascensão do Duce ao poder representaria mais do que uma nova oscilação para a direita no velho pêndulo da política parlamentar burguesa. Não foram muito diferentes, nesse sentido, da maioria dos socialistas espanhóis, que colaboraram com o governo militar de tintas fascistas de Primo de Rivera nos anos 1920. (...) [Para] o Partido Comunista da Alemanha, o fascismo não exigia resistência, mas paciência – seu lema era “Primeiro Hitler, depois nós”.

As passagens acima certamente dariam razão aos defensores de uma unidade construída a qualquer custo frente à onda ultraconservadora representada pela candidatura Bolsonaro. Mas destaquemos a seguinte observação sobre os socialistas alemães:

A liderança do partido se preservou para continuar buscando o poder pela via das eleições legítimas. Quando esse caminho foi definitivamente bloqueado, o partido se viu em dificuldades para mudar de linha.

O problema não era apenas a falta de unidade da esquerda contra o fascismo. Também era a aposta na resistência estritamente institucional a ele. Muito semelhante ao que acontece aqui e agora.

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