7 de agosto de 2018

Marx e Engels, devotos de Santo Agostinho

Um dos livros mais famosos da dupla Marx e Engels é “A Ideologia Alemã”, de 1846. Seu trecho mais conhecido é o que imagina como seria a atividade humana em uma sociedade comunista.

Nela ninguém estaria restrito a um círculo exclusivo de atividades, mas seria possível atuar nos mais diversos ramos de trabalho. A sociedade regularia a produção geral, de modo que seria possível:

...que eu faça hoje uma coisa e amanhã outra, que cace de manhã, pesque á tarde, crie gado à tardinha, critique depois da ceia, tal como me aprouver, sem ter de me tornar caçador, pescador, pastor ou crítico.

Na biografia que escreveu sobre Marx, Francis Wheen brinca ao perguntar quem, afinal, limparia os sanitários ou cortaria o carvão nesse “Nirvana” social.

Wheen também conta que a um espertalhão que perguntou quem iria engraxar-lhe os sapatos sob o comunismo, Marx teria respondido irritado: “Você!”. E a um amigo que disse não conseguir imaginar Marx vivendo satisfeito em uma sociedade igualitária, ele teria dito: "Nem eu. Estes tempos virão, mas já estarei longe.”

Apesar da constante penúria, Marx levava um estilo de vida burguês o suficiente para que lhe viessem a lhe fazer falta certas mordomias numa sociedade mais justa.

Poderíamos acusá-lo de defender posturas do tipo “faça o que digo, mas não o que faço”. Mas nem ele nem Engels jamais tentaram esconder ou negar suas origens sociais. Muito menos se privavam de luxos como bons vinhos, excelentes jantares, charutos, etc.

Nesse particular, os dois estariam mais para seguidores de Santo Agostinho, que teria dito: “Senhor, livrai-me das tentações, mas não hoje”.

Leia também: Vitórias de Marx nos tribunais

4 comentários:

  1. Caro amigo Sergio, estes comentários picantes contra Marx e Engels são ilações do Wheen, mais do que fatos históricos. Claro que os dois não eram religiosos que buscam o sacrifício para compensar as agruras vividas pelos mais pobres. Mas mesmo Engels viveu tempos apertados, depois que se afastou da fábrica têxtil do pai, e Marx lutou ferozmente para manter a família com seu trabalho, genial e pouco reconhecido enquanto ele viveu. Recomendo que vc leia um livrinho que eu tenho (em francês apenas): Karl et Jenny Marx - Lettres d'Amour et de Combat. Abraços saudosos a vc e Lycia!

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    1. Grande Marcos!
      Sim a biografia de Wheen é bem espirituosa. Mas a referência a Santo Agostinho é minha, não dele. Mas valeu o comentário e a dica sobre o livro. Vou ver se encontro.

      Abração!

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  2. Em que livro está a frase de Santo Agostinho? Já a li com idêntica estrutura e diferente conteúdo, pelo que desconfio tratar-se de invenção, resultante de citação de memória (aquela experiência de psicólogos contando um boato ao primeiro da fila e verificando como chegou o boato ao último da Fila), coisa atualmente com elegância designada como fake.

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    1. Tem razão. Apesar de ser uma frase muito citada, não consegui achar fonte segura dela. Alterei para "teria dito que".

      Valeu!

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