9 de agosto de 2018

O que Trotsky diria sobre Bolsonaro e os golpistas?

Trotsky dizia que aprendeu tudo o que precisava saber sobre uma organização revolucionária com cinco trabalhadores.

Um deles sempre foi militante socialista. Um defensor intransigente dos oprimidos, à frente de qualquer luta dos explorados.

Outro era um reacionário nato. Havia nascido e morreria sendo um fura-greve. Depois de morto, se houvesse uma greve no céu, ele a combateria.

Mas os três trabalhadores restantes não eram nem revolucionários nem reacionários. Às vezes, eram influenciados por um, às vezes, por outro. Oscilavam entre os dois, sempre em disputa.

Segundo Trotsky um objetivo importante das organizações revolucionárias seria empurrar os trabalhadores do meio para perto dos militantes socialistas. Afastá-los o máximo possível da influência dos ultraconservadores de direita.

Em palavras simples e didáticas, o grande revolucionário russo estava descrevendo a boa e velha disputa de hegemonia.

Poderíamos usar essa imagem para o quadro eleitoral atual. Muitos dos eleitores declarados de Bolsonaro são reacionários natos. Mas não a maioria.

O mesmo pode ser dito daqueles milhões que foram às ruas pelo impeachment. Uma parte deles é formada por ultraconservadores incuráveis. Mas para a maioria, há alguma esperança.

Se tratarmos a todos como inimigos, estaremos empurrando o conjunto deles para perto dos setores reacionários.

É preciso aprender a dialogar com os “trabalhadores do meio” para disputar sua consciência política. Até porque sem eles, não haverá um processo de transformação envolvendo a grande maioria explorada e humilhada.

Mas, atenção, disputar hegemonia não é igual a participar de eleições. Reduzir a primeira à segunda significa, aí sim, render-se à hegemonia dos que controlam o sistema político dominante. Os mesmos que tornaram Bolsonaro viável.

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