terça-feira, 22 de março de 2011

Jirau é senzala. Lula, capitão-do-mato

Em agosto do ano passado, Lula esteve no canteiro de obras da usina hidrelétrica de Jirau. Elogiou o ar condicionado nos alojamentos construídos nas margens do Rio Madeira, em Rondônia:
Isso demonstra que os trabalhadores vão aprendendo a conquistar seus direitos, os empresários vão aprendendo que é importante que, quanto mais conforto, mais os trabalhadores produzem e assim a gente vai mudando a cara do nosso País.
Em 20 de março passado, no mesmo local, os trabalhadores da obra se revoltaram. Mais de 40 ônibus, carros, alojamentos e outras instalações foram queimados.

A Aliança dos Rios da Amazônia publicou uma nota sobre o episódio:
Jirau concentra todos os problemas possíveis: em ritmo descontrolado, trouxe à região o “desenvolvimento” da prostituição, do uso de drogas entre jovens pescadores e ribeirinhos, da especulação imobiliária, da elevação dos preços dos alimentos, das doenças sem atendimento, e de violências de todos os tipos.
Segundo o documento, em 2009, 38 pessoas foram libertadas de trabalho análogo à escravidão em uma empresa que prestava serviços à empreiteira. Em 2010, foram registradas 330 infrações trabalhistas. A construtora Camargo Correia é acusada por maus tratos, irregularidades no pagamento, não-pagamento de horas-extras, intimidação, etc.

No Ceará, na mesma época, 6 mil trabalhadores das obras da Termelétrica de Pecém iniciaram uma greve. A situação é parecida com a de Jirau. Um dos patrões envolvidos é Eike Batista, cujas empresas vêm sendo beneficiadas pelos petistas no poder.

As grandes obras em andamento pelo País não causam danos apenas à fauna e à flora locais. Reproduzem a secular lógica da Casa Grande e da Senzala. Os senhores oferecem ração magra e nojenta, chicote e brutalidade. Cobram daqueles que consideram seus escravos agradecimento e respeito.

Lula disse que os empresários estão aprendendo. Na verdade, já são doutores nesse tipo de lição. O ex-metalúrgico é só mais um capitão-do-mato a lhes facilitar o serviço.

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2 comentários:

  1. É, esse sistema que imita e perpetua a escravidão e o colonialismo infelizmente não tem somente o ex-operário como coautor. A verdade é que somos, junto com ele, responsáveis por isso, até pelo nosso desconhecimento. Creio, sinceramente, que o ataque direto e enviesado não vai resolver o problema. A denúncia é essencial, mas será que ela não tem uma função apenas tendendiosa e não de dor por aqueles que ainda sofrem na pele a escravidão e desconhecem as leis de trabalho?
    Na minha opinião, a clarividência da História e da leia para a maioria nos colocará em outro posicionamento diante do problema: não com o dedo em riste, acusando, mas com as mangas arregaçadas, resolvendo-o.
    Abraço

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  2. Peço licença para discordar totalmente de sua colocação, Marcos. Não vejo como podemos ser responsabilizados na mesma maneira e medida que aqueles que detêm poder político e econômico. O ex-operário não é responsável pela escravidão renovada. É apenas aquele que auxilia o inimigo. Por isso, chamei-o de capitão-do-mato e não de senhor de escravos. Triste posição a que chegou alguém que lutou ao lado dos escravos durante tantos anos.
    Obrigado pelo comentário.
    Abraço!

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