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30 de janeiro de 2025

Trump, Debord e a prevalência do falso

No mundo realmente invertido, a verdade é um momento do falso.

(...)

O conceito de espetáculo unifica e explica uma grande diversidade de fenômenos aparentes. As suas diversidades e contrastes são as aparências desta aparência organizada socialmente, que deve, ela própria, ser reconhecida na sua verdade geral. Considerado segundo os seus próprios termos, o espetáculo é a afirmação da aparência e a afirmação de toda a vida humana, isto é, social, como simples aparência. Mas a crítica que atinge a verdade do espetáculo descobre-o como a negação visível da vida; como uma negação da
vida que se tornou visível.

Os trechos acima são do livro “A sociedade do espetáculo” do marxista francês Guy Debord. A obra é de 1967. Na época de seu lançamento, muita gente deve ter sentido dificuldades em entender os fenômenos que a obra abordava. Desde então, sua compreensão ficou bem menos difícil. Nos últimos dez anos, suas afirmações são quase uma descrição da realidade objetiva. A recente volta de Donald Trump à frente do governo mais poderoso do mundo deve tornar os momentos verdadeiros ainda mais raros, enquanto promove catástrofes e tragédias cada vez mais reais e concretas.

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24 de novembro de 2023

A sociedade do espetáculo é capitalismo atualizado

O livro “Sociedade do Espetáculo”, de Guy Debord, foi lançado em 1967. Mas, desde então, vem sendo cada vez mais atualizado pelo capitalismo. Vejamos alguns de seus trechos:

As imagens fluem desligadas de cada aspecto da vida e fundem-se num curso comum, de forma que a unidade da vida não mais pode ser restabelecida. A realidade considerada parcialmente reflete em sua própria unidade geral um pseudo-mundo à parte, objeto de pura contemplação. A especialização das imagens do mundo acaba numa imagem autonomizada, onde o mentiroso mente a si próprio. O espetáculo em geral, como inversão concreta da vida, é o movimento autônomo do não-vivo.

(...)

No mundo realmente invertido, o verdadeiro é um momento do falso.

Não são afirmações perfeitas para o caos cognitivo que estamos vivendo, alimentado por mentiras e distorções?

Há quem ache que Debord estava se referindo a uma espécie de pós-capitalismo, em que tudo é relativo e desmaterializado. Não é verdade. Vários momentos do texto deixam isso muito claro. Por exemplo, ao dizer que o espetáculo:

...não é um complemento ao mundo real, um adereço decorativo. É o coração da irrealidade da sociedade real. Sob todas as suas formas particulares de informação ou propaganda, publicidade ou consumo direto do entretenimento, o espetáculo constitui o modelo presente da vida socialmente dominante. Ele é a afirmação onipresente da escolha já feita na produção, e no seu corolário - o consumo.

A sociedade do espetáculo é o reino da mediação pela imagem como “corolário” da produção capitalista, não como ruptura com ela ou sua negação. A falsidade capitalista continua produzindo uma realidade de enorme sofrimento.

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