Momento definidor da intervenção política das Forças Armadas no caminho da ascensão de Bolsonaro ao poder foi a Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti. Entre 2004 e 2017, o braço militar dessa missão foi comandado pelo Exército brasileiro, que enviou 37,5 mil soldados ao país caribenho.
Em 6 de julho de 2005, as tropas comandadas pelos brasileiros iniciaram o que chamaram de operação de pacificação na Cité Soleil, maior favela de capital haitiana. Cerca de 300 homens fortemente armados invadiram o bairro e assassinaram 63 pessoas, deixando outras 30 feridas. Na época, o comandante da operação era o general Augusto Heleno.
Pacificação. Esse nome também batizaria as intervenções em grandes favelas brasileiras. Consideradas bem-sucedidas durante um tempo, essas operações nunca superaram seu caráter estritamente repressivo, sem maiores preocupações relacionadas à melhora nas condições de saúde, educação, saneamento e empregos nos lugares em que foram implantadas.
Pacificação é o que os governos petistas propuseram, enquanto milhares de pobres e não brancos continuavam a morrer na guerra que o Estado trava contra eles. Este é outro elemento fundamental a permitir que a cobra fascista preparasse seu bote.
Anos depois, Bolsonaro, eleito presidente, nomeou para o Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno; para a Secretaria de Governo, Carlos Alberto dos Santos Cruz; e para Comandante do Exército, Edson Leal Pujol. Todos estiveram no Haiti entre 2007 e 2014.
As informações acima estão no livro “O Fascismo Brasileiro”, de Rudá Ricci. Mostram, novamente, que o ovo da serpente fascista estava sendo incubado nas barbas do governo. Não nas ruas, em junho de 2013.
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