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1 de fevereiro de 2021

Futuro vegetal x catástrofe animal

“O futuro precisa tomar para si a metáfora das plantas”, diz Stefano Mancuso em seu livro “Revolução das plantas”. Nele, o botânico italiano defende as formas descentralizadas e coletivas de organização das plantas como inspiração para nossa vida social. Segundo ele:

As sociedades que no passado se desenvolveram graças a uma rígida divisão funcional do trabalho e a uma estrita estrutura hierárquica devem, no futuro, estar ao mesmo tempo ancoradas no território e descentralizadas, deslocando o poder decisório e as funções de comando para as várias células de seu corpo e transformando-se de pirâmides em redes distribuídas horizontalmente.

Por causa da internet, os casos de organizações não hierárquicas e distribuídas, semelhantes às estruturas das plantas, multiplicam-se, ganham apoio e, acima de tudo, produzem excelentes resultados. A Wikipédia é um excelente exemplo de como uma organização vegetal pode ser estruturada.

Graças à contribuição de milhões de colaboradores, sem qualquer forma de organização hierárquica e sem incentivo financeiro, a Wikipédia tinha equivalente a mais de 2 mil volumes impressos da Enciclopédia Britânica no final de 2016.

Ora, diz o autor, estruturas semelhantes existem há muito tempo: são chamadas de cooperativas. E suas falhas, afirma ele, muitas vezes decorrem “de terem desistido de atuar como estruturas vegetais para se transformarem em organizações hierárquicas animais, perdendo a flexibilidade...”

O modelo vegetal combinado “com o poder extraordinário das redes atuais”, pode representar uma alternativa válida para o futuro. Deixar essa possibilidade coincidir com os interesses “dos gigantes da web que acumulam enormes lucros nas mãos de alguns seria catastrófico”, conclui Mancuso.

Apoiado, mas com um ajuste. A catástrofe já é realidade.

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29 de janeiro de 2021

O socialismo inspirado pelas plantas

Em seu livro “Revolução das plantas”, Stefano Mancuso defende que a vida vegetal sirva de inspiração para melhorar nossas relações sociais e ambientais.

Ele começa propondo uma comparação entre animais e plantas:

Os animais se movem, as plantas ficam paradas; os animais se alimentam de outros seres vivos, as plantas alimentam outros seres vivos; animais produzem CO2, as plantas fixam CO2; os animais consomem, as plantas produzem...

Mas entre as muitas oposições possíveis, a decisiva seria, segundo ele, aquela entre concentração e distribuição.

A começar pelo cérebro. Diferente dos animais, as funções cerebrais dos vegetais ficam espalhadas por suas raízes. É o sistema radicular, que funciona como um cérebro coletivo. Desse modo, se danos no sistema cerebral de um animal podem ser fatais, nas plantas, os estragos costumam ser muito menores.

Os vegetais também contam com uma arquitetura colaborativa, distribuída, sem centros de comando, sendo capaz de resistir perfeitamente a repetidos eventos catastróficos sem perder a funcionalidade e de se adaptar com rapidez a enormes mudanças ambientais.

Essa forma de organização confere à vida vegetal grande eficiência para coletar dados exatos, utilizando uma multiplicidade de parâmetros químicos e físicos, como luz, gravidade, elementos minerais, umidade, temperatura, estímulos mecânicos, estrutura do solo e composição dos gases atmosféricos.

Realmente, trata-se de um modelo que pode inspirar novas e melhores formas de organização humana. E algumas delas até já funcionam de modo parecido. É o caso do sistema radicular da internete ou das cooperativas de trabalho e distribuição.

É o primado da desconcentração de poder e da inteligência coletiva. Obrigatório em qualquer projeto para uma sociedade socialista.

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28 de janeiro de 2021

A democracia das abelhas dançarinas

Sempre que se pensa em processos de decisão entre os outros animais, a tendência é imaginar sistemas fortemente hierárquicos. O macho-alfa decide e o restante acata. Mas em seu livro “Revolução das plantas”, Stefano Mancuso afirma que não é nada disso.

Segundo ele, “na natureza, são raras as hierarquias, entendidas como indivíduos ou grupos, que decidem pela comunidade. Nós as vemos em toda parte porque olhamos para a natureza com os olhos de seres humanos”.

Para sustentar sua afirmação, ele cita um estudo publicado em 2003, por Larissa Conradt e T. J. Roper sobre processos deliberativos em diversos coletivos de animais. Um deles se refere a abelhas à procura de um local para construir uma nova colmeia.

Após voltar de suas expedições exploratórias, elas executam danças para descrever o que descobriram. Formam-se, então, grupos dançantes. O grupo cuja descrição atrair mais adeptas indica o local escolhido. E o resultado costuma não decepcionar.

Mas experiências envolvendo seres humanos também são reveladoras. O Instituto Leibniz, em Berlim, por exemplo, publicou uma pesquisa com grupos médicos especialistas sobre a capacidade de diagnosticar, com certeza, câncer mamário com base em radiografias.

O estudo mostrou que “as equipes médicas, usando ferramentas típicas de inteligência coletiva, como a votação majoritária com quórum, obtêm resultados de diagnóstico melhores do que os dos médicos mais prestigiados do grupo”.

Só fica difícil acreditar nessa teoria diante dos vários resultados eleitorais nada inteligentes. Mas aí entram em cena elementos muito humanos, como dominação econômica, manipulações midiáticas e condições extremamente desiguais de competição.

Ou seja, até nessas questões são os animais que têm muito a nos ensinar.

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