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24 de maio de 2024

O que guerras e calamidades revelam sobre paz e normalidade

Uma das metáforas favoritas da grande mídia, governos e especialistas é a que compara a calamidade que atingiu o Rio Grande do Sul a uma guerra.
 
A imagem simbólica vem a calhar para lembrar a velha máxima de que uma das primeiras vítimas em uma guerra é a verdade. O que não faltam são mentiras e falsidades sobre a calamidade em terras gaúchas. As mais descaradas são obra das forças extremistas da direita. Mas também há distorções mais sutis, cometidas pela grande mídia em sua pesada disputa hegemônica.
 
Mas sejam guerras ou calamidades, é costume dizer que tais situações revelam o pior do ser humano. No caso das cidades gaúchas são saques organizados por milícias, batalhas entre quadrilhas, violência policial sob pretexto de defesa da ordem, distribuição de comida estragada, doações de coisas inúteis disfarçadas de caridade e outros exemplos desanimadores.
 
Tudo isso revelaria a verdadeira natureza humana: um oceano de egoísmo e falsidade cercando pequenas ilhas de solidariedade e boas intenções.
 
As noções mais básicas da sociologia, porém, recomendam que troquemos essa concepção genérica de “ser humano” pelo conceito menos vago de relações sociais. São nestas que imperam os valores do convívio social, não nos indivíduos que as compõem.
 
Eventos extremos não revelam a maldade e o egoísmo inerentes à espécie humana. Apenas acentuam as leis, regras, costumes, valores que regem certas sociedades em tempos de pretensa normalidade.

No caso de sociedades profundamente injustas como a nossa, nem mesmo os supostos momentos de paz e normalidade conseguem se distinguir de situações de guerras e catástrofes. É quando nenhuma metáfora dá conta da realidade.

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8 de maio de 2024

Solidariedade popular e valorização do capital

“Com experiência da pandemia, empresas agem rápido”, diz reportagem publicada no Globo, em 08/05/2024. Vejamos um trecho:

O desastre que atinge o Rio Grande do Sul gerou uma rápida resposta das empresas. Ancoradas na experiência que enfrentaram na pandemia de Covid-19, as empresas se mobilizaram para fazer chegar aos gaúchos doações de recursos, alimentos, kits de higiene, entre outros itens.

O Movimento União BR, organização especializada em criar hubs de emergência, já arrecadou mais de R$ 8 milhões de empresas e pessoas físicas, com mais de 200 mil itens entregues, entre refeições desidratadas (de fácil armazenamento), kits de higiene pessoal e filtros purificadores de água. Tudo em prol das vítimas das chuvas no Rio Grande do Sul.

A matéria cita parcerias de empresas com ONGs como a Central Única de Favelas e o Instituto da Criança. Petrobrás, Itaú, Ambev, Bradesco, Santander, Latam são algumas das corporações envolvidas.

Não há como acreditar na boa fé desses poderosos CNPJs do PIB nacional. E não se trata apenas de hipocrisia.

Tal como na pandemia, essas iniciativas certamente servirão para aperfeiçoar a logística de muitos desses gigantes capitalistas. A legítima e heroica ajuda da população, muito provavelmente, será usada para incrementar a agilidade e precisão das técnicas de embalagem, transporte e entregas. A solidariedade popular canalizada para o aperfeiçoamento do ciclo de valorização das mercadorias.

A implantação desses novos métodos e tecnologias, geralmente, pressupõe mais precarização da força de trabalho justificada pela emergência da situação, mas tornada definitiva, posteriormente.

O capitalismo ajuda a causar tragédias com as quais embolsa lucros graúdos. De quebra, veste a máscara hipócrita da responsabilidade social.

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