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22 de julho de 2024

O protocolo Aníbal e os filhos de Abraão

O Protocolo Aníbal (...) é um procedimento introduzido em 1986 pelas Forças de Defesa de Israel para evitar a captura de soldados israelenses pelas forças inimigas. De acordo com uma versão, o protocolo diz que “o sequestro de soldados deve ser interrompido por todos os meios, mesmo ao preço de atacar, ferir ou destruir as nossas próprias forças”.

O texto acima introduz o verbete da Wikipédia para um dos mais terríveis procedimentos das forças armadas israelenses. O protocolo Aníbal permaneceu em sigilo até 2003, quando o foi revelado por uma investigação do jornal israelense Haaretz.

Vários eventos envolvendo mortes e ferimentos de soldados e até civis israelenses podem ter ocorrido em diversos momentos. Uma das últimas vezes teria sido durante o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, quando reféns israelenses afirmaram ter sido atacados por helicópteros de seu próprio país.

Em 2014, o jornalista israelense Uri Arad publicou um artigo sobre o protocolo. Segundo ele:

A santidade da vida do indivíduo não é mais importante. Agora, em vez de o governo servir a seus cidadãos, são os cidadãos que são obrigados a pagar com suas vidas para servir aos interesses do governo. O nome disso simplesmente é fascismo.

Deus ordenou a Abraão que sacrificasse seu próprio filho. Talvez, o episódio tenha servido como uma inspiração deturpada e doentia para o protocolo Aníbal. No último momento, o patriarca judeu foi impedido de cometer o terrível ato. Um regime covarde e genocida que sacrifica vidas humanas para manter-se no poder também precisa ser detido. Em defesa da humanidade e de seu próprio povo.

Leia também: Amazon e Google unidas no patrocínio ao genocídio

9 de julho de 2024

Amazon e Google unidas no patrocínio ao genocídio

Em 04/07, a Amazon completou 30 anos de fundação. Terceira maior empregadora do mundo, grande parte de sua mão de obra é precarizada e sofre com terríveis condições de trabalho. Em seus galpões gigantes, o calor e o frio podem ser insuportáveis, dependendo da época do ano. As jornadas superiores a 10 horas têm intervalos que não ultrapassam os 30 minutos para refeições. O ritmo alucinante das tarefas é ditado por algoritmos, máquinas e robôs. Em muitas de suas unidades, os trabalhadores percorrem dezenas de quilômetros por dia sem parar.

Toda essa exploração explica a maior parte do sucesso da gigante que surgiu como serviço de entregas. Mas os créditos costumam ser atribuídos à suposta genialidade do criador da empresa, Jeff Bezos. 

Além das entregas, a empresa oferece serviços de armazenamento de dados, produção de filmes e séries, além de aplicativos de leitura e de assistentes virtuais. Mais recentemente, porém, surgiu um item vergonhoso no catálogo da Amazon. 

Em 26 de junho passado, seis manifestantes interromperam um evento promovido pela empresa, em Washington. Eles denunciavam um projeto chamado Nimbus, que envolve computação em nuvem e inteligência artificial para uso das Forças Armadas israelenses. "Sua tecnologia está patrocinando o genocídio", gritou um dos manifestantes, segurando a bandeira da Palestina. A iniciativa também envolve a Google e conta com apoio das forças armadas estadunidenses.

Amazon e Google são fortes concorrentes em algumas áreas de tecnologia de ponta. Mas quando se trata de auxiliar o aparelho estatal e a máquina bélica do imperialismo sempre é possível combinar esforços e lucrar juntas com repressão e genocídio.

Leia também: República Popular da Amazon

20 de fevereiro de 2024

Sionismo e Apartheid irmanados

Desmond Tutu ganhou o Prêmio Nobel da Paz de 1984 por sua luta contra o Apartheid na África do Sul. Em agosto de 2009, ele afirmou: "O Ocidente se envergonha do Holocausto, com razão, mas quem paga por isso? Os palestinos estão pagando".

Em junho de 2015, Tutu repetiu a dose:

Nós, sul-africanos, sofremos décadas de apartheid e podemos reconhecer isso em outros lugares. Eu, pessoalmente, testemunhei a realidade de apartheid que Israel criou dentro de suas fronteiras e nos territórios palestinos ocupados.

Mas muito antes, em 1987, um israelense já havia chegado a essa conclusão. Militante do movimento por direitos civis, Uri Davis escreveu um livro cujo título é autoexplicativo: “Israel: An Apartheid State”.

E, em 2006, o ex-presidente estadunidense Jimmy Carter em seu livro “Palestine: Peace not Apartheid”, definiu a situação na Palestina como:

... um sistema de apartheid, com dois povos ocupando a mesma terra, mas completamente separados uns dos outros, com os israelenses totalmente dominantes e com extrema violência, privando os palestinos de seus direitos humanos básicos.

Há quem diga, com razão, que foi o sionismo que inspirou o nazismo. No caso da relação entre os apartheids sul-africano e israelense é difícil afirmar algo parecido. Mas o regime segregacionista da África do Sul foi implantado em 1948. No mesmo ano, aconteceu a "nakba", que em árabe quer dizer "catástrofe". A palavra refere-se à expulsão de 750 mil palestinos de seus territórios para dar lugar ao Estado de Israel.

Assim, o que é possível concluir, com certeza, sobre os dois regimes é que ambos se irmanam nas implementação de políticas estatais genocidas.

Leia também: O sionismo inspirando o nazismo