Doses maiores

Mostrando postagens com marcador armamentismo capitalista. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador armamentismo capitalista. Mostrar todas as postagens

19 de março de 2025

A Europa e a economia armamentista permanente

“Parlamento alemão aprova superpacote de gastos”, dizem as manchetes, referindo-se a um aumento de despesas públicas com armamentos, envolvendo recursos entre 1 trilhão e 1,5 trilhão de euros.

A aprovação exigiu uma alteração constitucional que flexibilizou o chamado “freio da dívida” alemã. É o equivalente de nosso teto orçamentário, que limita o endividamento governamental com o pretexto de combater desperdício de dinheiro público. Na verdade, os cortes concentram-se nos recursos para serviços públicos e programas sociais.

Agora, o “freio da dívida” alemã não vale mais para os gastos com defesa, que passam a ser ilimitados. Resumindo, tem dinheiro público para mísseis, caças, tanques, ogivas nucleares, porta-aviões. Não tem para hospitais, escolas, assistência social, aposentadorias...

A decisão vem na esteira de um plano da Comissão Europeia para rearmar a região, aprovado pelos 27 Estados-membros da União Europeia, em 07/03/2025.

A desculpa é preparar os países europeus para possíveis tensões militares provocadas pelo alinhamento entre Trump e Putin. A verdade é que o capital precisa de guerras, não de bem-estar social.

O marxista Tony Cliff, por exemplo, adotou o conceito de “economia armamentista permanente” para explicar o funcionamento do capitalismo contemporâneo. Como se sabe, a exploração imposta pelo capitalismo torna impossível que sejam consumidas todas as mercadorias que ele produz. Os gastos em guerras são uma das saídas para esse problema.

Despesas com armas e tecnologia militar destroem capital, ao mesmo tempo em que elimina, literalmente, força de trabalho humana. Não à toa, a crise de 1929, a pior do século 20, desembocou na Segunda Guerra Mundial, o maior conflito bélico da história. O maior até agora.

Leia também: Guerras e dívidas permanentes

12 de março de 2024

Cessar-fogo e lucros cessantes

Os editoriais condenam a decisão do governo de reter o pagamento de dividendos aos acionistas da Petrobrás. A medida foi tomada pensando nos objetivos de longo prazo da estatal. Mas longo prazo é um conceito que não entra na cabeça tacanha dos grandes acionistas privados da petroleira. Tubarões gordos sempre famintos.

Outra notícia com repercussão bem menor foi a morte de um trabalhador de um galpão do gigante varejista Mercado Livre. Ele teria cometido suicídio, mas seus colegas foram obrigados a continuar trabalhando normalmente.

O que ambos os acontecimentos têm em comum? A lógica capitalista. Sejam as obrigações da Petrobrás em relação aos interesses públicos, seja a perda de uma vida, nada pode se deter diante da necessidade de manter elevada a rentabilidade que beneficia interesses privados.

No capitalismo, impera a ditadura do lucro. E não só nas tragédias ou decisões empresariais. Para que servem as fábricas de sapatos? Para calçar as pessoas? Não, para lucrar com a venda de calçados. O mesmo vale para as indústrias de alimentação e imobiliária. Aos milhões de desnutridos e sem-tetos não basta serem humanos se não forem consumidores.

A economia capitalista faz das necessidades vitais mero meio para gerar lucro abundante para alguns poucos. E não se trata apenas da vida humana, como demonstram os desastres ambientais.

Mas há um ramo econômico em que isso fica tragicamente explícito. A indústria armamentista multiplica seus ganhos na proporção direta em que destrói vidas. Seja nos conflitos entre países, seja no interior deles. Tanto em Gaza, Ucrânia, Sudão como nas periferias urbanas não há cessar-fogo porque isso implicaria lucros cessantes.

Leia também: O consumo como ameaça à humanidade