O técnico da seleção está mais pra Zangado que pra Dunga. E sem direito a Branca de Neve. O exemplo mais recente de suas grosserias foram alguns palavrões disparados contra jornalistas da Globo em uma entrevista coletiva.
É só mais um capítulo na recente guerra entre a grande imprensa e o técnico. Treinos secretos e pouco acesso aos jogadores causam revolta nas emissoras e jornalões. Reclamam de “cerceamento” a informação.
O fato é que Globo, Band, Folha, Estadão e outros monopólios estão defendendo seus lucros e os interesses de seus proprietários, controladores ou acionistas. Nada a ver com direito à informação.
Corre na internete o relato de outro episódio envolvendo a Globo. Dunga teria se recusado a conceder uma entrevista exclusiva a Fátima Bernardes, autorizada por Ricardo Teixeira. O técnico da seleção não foi consultado e bateu a porta da concentração na cara da jornalista.
Com isso, Dunga arranjou briga com a bruxa má da história. A Globo é daquelas que costuma dar maças envenenadas de presente.
Poderíamos bater palmas para Dunga, não fosse o fato de que só ocupa o posto de treinador da Seleção por obra e graça do presidente da CBF. Ou seja, ninguém é bonzinho nisso tudo.
É um jogo cheio de caneladas e chutes acima da cintura. Retrato de um esporte apaixonante, entregue às pornográficas relações entre mídia, empresas, cartolas e governantes. Tudo movido a muito dinheiro e poder.
Blog de Sérgio Domingues, com comentários curtos sobre assuntos diversos, procurando sempre ajudar no combate à exploração e opressão.
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22 de junho de 2010
7 de junho de 2010
Copa do Mundo: pra torcer e distorcer
A Copa do Mundo vem aí. Muito “oba, oba” nos meios de comunicação. Pouca informação, debate, contextualização. Uma exceção foi o programa “Ver TV”, do Canal Brasil, do dia 06/05. Os convidados eram Sócrates, ex-jogador, e o jornalista José Cruz, do portal UOL.
O apresentador do programa, Laurindo Leal Filho, chamou a atenção para o tipo de cobertura da TV: “Acompanha até o café da manhã dos jogadores, mas nada de debater a situação do esporte no país”. Sócrates afirmou que a TV vende atitude, aparência, comportamento, moda. Mas, é incapaz de vender educação. E vender esporte sem educação é um crime, disse ele.
Segundo o ex-jogador, tudo se resume a construir estádios e ginásios caríssimos, que viram elefantes brancos. Enquanto isso, está no Congresso uma proposta de revisão da Lei Pelé. Sócrates disse que a lei ainda pode ficar ainda mais suave para os administradores irresponsáveis ou corruptos dos clubes. Além disso, já foi dado sinal verde para obras para a Copa de 2014, sem necessidade de licitações.
José Cruz lembrou que o tal “legado” do PAN 2007 continua revelando prejuízos aos cofres públicos. Como exemplo, citou 880 aparelhos de ar-condicionado novinhos, ainda na caixa. Seriam usados no evento, mas foram encontrados num galpão após seu encerramento.
Nada disso aparece na voz irritante de um Galvão Bueno. Enquanto a multidão torce, a grande mídia faz sua parte. Distorce uma paixão popular para favorecer os cartolas do esporte, da política e do capital.
O apresentador do programa, Laurindo Leal Filho, chamou a atenção para o tipo de cobertura da TV: “Acompanha até o café da manhã dos jogadores, mas nada de debater a situação do esporte no país”. Sócrates afirmou que a TV vende atitude, aparência, comportamento, moda. Mas, é incapaz de vender educação. E vender esporte sem educação é um crime, disse ele.
Segundo o ex-jogador, tudo se resume a construir estádios e ginásios caríssimos, que viram elefantes brancos. Enquanto isso, está no Congresso uma proposta de revisão da Lei Pelé. Sócrates disse que a lei ainda pode ficar ainda mais suave para os administradores irresponsáveis ou corruptos dos clubes. Além disso, já foi dado sinal verde para obras para a Copa de 2014, sem necessidade de licitações.
José Cruz lembrou que o tal “legado” do PAN 2007 continua revelando prejuízos aos cofres públicos. Como exemplo, citou 880 aparelhos de ar-condicionado novinhos, ainda na caixa. Seriam usados no evento, mas foram encontrados num galpão após seu encerramento.
Nada disso aparece na voz irritante de um Galvão Bueno. Enquanto a multidão torce, a grande mídia faz sua parte. Distorce uma paixão popular para favorecer os cartolas do esporte, da política e do capital.
12 de maio de 2010
O Globo agora é contra patriotadas
A edição de hoje do jornal da elite estampa em sua capa: “Pra frente, Dunga!”. No caderno de esportes, a página toda verde-amarelada exibe “Pra frente, Brasil!!!” sob a frase “A pedido de Dunga e Jorginho”. Abaixo da foto do técnico, uma série de frases como “Todos de mãos dadas!”, “A pátria de chuteiras!” etc. São referências aos apelos de Dunga para que o povo apóie sua seleção medíocre. Tudo muito irônico.
Na página 2, Chico Otávio critica o fato de Dunga não saber dizer se a escravidão ou a ditadura militar foram boas ou não. Teria toda razão se não o fizesse nas páginas de um jornal que não tem moral alguma para cobrar esse tipo de definição.
Afinal, quando éramos apenas “90 milhões em ação”, o Globo soube dizer claramente o que era certo ou errado. Enquanto o golpe militar instalava a ditadura, o jornal publicava, em 4 de abril de 1964, a manchete “Multidões em júbilo na Praça da Liberdade”.
De alguma maneira, o Globo agora acha que ser patriota é dar colher-de-chá demais à plebe. Talvez, pense que isso ajude a candidata de Lula. Não deveria se preocupar tanto. Os candidatos mais fortes à presidência já demonstraram que torcem para o mesmo time. E não se trata da seleção.
Na página 2, Chico Otávio critica o fato de Dunga não saber dizer se a escravidão ou a ditadura militar foram boas ou não. Teria toda razão se não o fizesse nas páginas de um jornal que não tem moral alguma para cobrar esse tipo de definição.
Afinal, quando éramos apenas “90 milhões em ação”, o Globo soube dizer claramente o que era certo ou errado. Enquanto o golpe militar instalava a ditadura, o jornal publicava, em 4 de abril de 1964, a manchete “Multidões em júbilo na Praça da Liberdade”.
De alguma maneira, o Globo agora acha que ser patriota é dar colher-de-chá demais à plebe. Talvez, pense que isso ajude a candidata de Lula. Não deveria se preocupar tanto. Os candidatos mais fortes à presidência já demonstraram que torcem para o mesmo time. E não se trata da seleção.
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