terça-feira, 26 de abril de 2011

A crise do MST

“Não há uma crise no Movimento dos Trabalhadores Sem Terra”, diz o professor Bernardo Mançano, em entrevista à IHU On-Line, publicada em 18/04. Ele refere-se às dificuldades que o movimento enfrenta para manter sua mobilização. Segundo Mançano, a crise é da pequena agricultura “em função do domínio do modelo na agricultura pelo agronegócio”.

Perguntado sobre o papel do governo petista nisso tudo, Mançano diz que Dilma “defende o modelo do agronegócio, mas dialoga com o modelo da agricultura camponesa. Então, ela não é contra a reforma agrária, mas também não vem investindo neste sentido”.

Mançano vem prestando excelentes serviços ao MST. Mas, fica difícil dizer que não há crise entre os Sem-Terra quando o horizonte camponês que anima o movimento vai desaparecendo. Mais difícil ainda é poupar o governo Dilma. A responsabilidade pelo fortalecimento do agronegócio é dela e de seus antecessores. Incluindo Lula, que chamou os usineiros de heróis.

Enquanto isso, a Comissão Pastoral da Terra divulgou o relatório “Conflitos no Campo no Brasil 2010”. Segundo o estudo, o número de ocupações diminuiu em quase 40%, em relação a 2009. Por outro lado, aumentaram em 21% os casos de violência contra os Sem-Terra.

Ou seja, o MST diminuiu o ritmo de sua luta, mas a violência dos latifundiários aumentou. Parece óbvio que os grandes proprietários se sentem fortalecidos por um governo que continua a secular política de apoio a sua causa.

Não há respostas simples para essa situação. Mas, apoiar este ou qualquer outro governo quase incondicionalmente é o caminho mais curto para a derrota. Infelizmente, é a escolha feita por muitas lideranças do MST.

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