Steve Jobs foi uma espécie de Henry Ford do final do século passado. E, tal como este, foi um campeão dessa moderna maldição humana: a ditadura do mercado.
Ford criou a linha de montagem, que subordinou de vez os trabalhadores às maquinas. Lançou automóveis que podiam ser comprados por seus operários. Foi um dos pioneiros na transformação do consumo em consumismo. Fenômeno que estendeu a imposição da lógica do trabalho à vida cotidiana. Além de trabalhar, é preciso consumir para ser alguém na sociedade industrial.
O fundador da Apple, por sua vez, criou o primeiro computador pessoal. Como o automóvel, é mais uma dessas maravilhas cuja utilidade se transformou em castigo. O primeiro suja, atravanca e mata nas grandes cidades. O outro torna a vida cotidiana cada vez mais uma extensão da vida profissional. Faz da vida urbana uma imensa linha de montagem.
Os aparelhos sofisticados de Jobs levaram o consumismo a extremos. Filas enormes se formam a cada novo lançamento. A religião do capital tem na Apple uma de suas seitas mais poderosas. Em seu fundador, um santo para quem fiéis acendem velas em telas de cristal líquido.Condição a que Ford nunca chegou. Até porque era admirador do diabólico Hitler.
O mais próximo que Jobs chegou disso talvez esteja representado pela famosa maçã mordida. Símbolo da rendição à tentação bíblica da serpente. O ato custou a danação da raça humana, mas também libertou seu potencial criativo. Jobs é um dos que melhor se aproveitaram dessa condição. Por isso mesmo, não são poucos os seus pecados.
Leia também Apple e homofobia
Blog de Sérgio Domingues, com comentários curtos sobre assuntos diversos, procurando sempre ajudar no combate à exploração e opressão.
7 de outubro de 2011
6 de outubro de 2011
Vão ter que engolir Lênin, também
A atual crise vem obrigando alguns analistas burgueses a admitir que Marx estava certo quanto ao capitalismo. Mas tudo indica que é só o começo.
Acaba de ser divulgado um estudo que revela uma imensa concentração do capital mundial. Trata-se de “The network of global corporate control” (“A rede de controle das corporações globais”). Obra de Stefania Vitali, James B. Glattfelder e Stefano Battiston para o Instituto Federal de Tecnologia de Zurique.
A pesquisa levantou dados de 43 mil empresas multinacionais. Chegou à conclusão de que 80% do valor delas são controlados por 737 bancos, companhias de seguros e grandes grupos empresariais. Destes, somente 147 dominam 40% do valor econômico e financeiro de todas as outras empresas globais. Mas neste último grupo, 50 gigantes capitalistas formam um clube ainda mais poderoso.
Os autores afirmam que tamanha concentração é altamente vulnerável a um “risco sistêmico”. Ou seja, se um vacila, os outros tremem e o mundo inteiro sacode. Também mostra o poder que tais grupos têm para fazer valer seus interesses junto aos políticos. Explica porque os governos insistem em aprovar planos que favorecem o grande capital e penalizam os trabalhadores.
Lênin já alertava para esse fenômeno em seu livro “Imperialismo, fase superior do capitalismo”, de 1917. Num trecho ele diz:
Leia também: Aos neoliberais, a maldição dos neutrinos
Acaba de ser divulgado um estudo que revela uma imensa concentração do capital mundial. Trata-se de “The network of global corporate control” (“A rede de controle das corporações globais”). Obra de Stefania Vitali, James B. Glattfelder e Stefano Battiston para o Instituto Federal de Tecnologia de Zurique.
A pesquisa levantou dados de 43 mil empresas multinacionais. Chegou à conclusão de que 80% do valor delas são controlados por 737 bancos, companhias de seguros e grandes grupos empresariais. Destes, somente 147 dominam 40% do valor econômico e financeiro de todas as outras empresas globais. Mas neste último grupo, 50 gigantes capitalistas formam um clube ainda mais poderoso.
Os autores afirmam que tamanha concentração é altamente vulnerável a um “risco sistêmico”. Ou seja, se um vacila, os outros tremem e o mundo inteiro sacode. Também mostra o poder que tais grupos têm para fazer valer seus interesses junto aos políticos. Explica porque os governos insistem em aprovar planos que favorecem o grande capital e penalizam os trabalhadores.
Lênin já alertava para esse fenômeno em seu livro “Imperialismo, fase superior do capitalismo”, de 1917. Num trecho ele diz:
Há meio século, quando Marx escreveu “O Capital”, a livre concorrência era, para a maior parte dos economistas, uma “lei natural”. A ciência oficial procurou aniquilar, por meio da conspiração do silêncio, a obra de Marx, que tinha demonstrado, com uma análise teórica e histórica do capitalismo, que a livre concorrência gera a concentração da produção, e que tal concentração, num certo grau do seu desenvolvimento, conduz ao monopólio. Agora o monopólio é um fato. Os economistas publicam montanhas de livros em que descrevem as diferentes manifestações do monopólio e continuam a declarar em coro que o marxismo foi refutado. Mas os fatos são teimosos e, (...) gostemos ou não, é preciso levá-los em conta.Gostem ou não os capitalistas, além de Marx, ainda vão ter que engolir Lênin.
Leia também: Aos neoliberais, a maldição dos neutrinos
4 de outubro de 2011
Greve no domingo pelo direito à preguiça
Cansados de responder a e-mails e de se envolver com trabalho nas horas que deveriam ser de lazer, professores da rede privada do Rio Grande do Sul farão um "domingo de greve" amanhã.O trecho acima é de reportagem de Felipe Bächthold para a Folha de S. Paulo, publicada em 01/10. Segundo a matéria:
...como as novas tecnologias aumentaram a disponibilidade dos professores a alunos, pais e direção da escola, eles reclamam de manter, sem pagamento extra, blogs e sites ou de colocar o conteúdo das disciplinas na internet.O sindicato da categoria diz que essa prática chega a dobrar as horas dedicadas à escola, gerando mais casos de afastamento por doenças e estresse.
A reportagem também ouviu o economista Marcos Formiga, professor da Universidade de Brasília. Ele vê no caso “um atrito entre estudantes que têm grande intimidade com novas tecnologias e professores resistentes ao uso de novos meios de comunicação”. Algo que ele considera irreversível: “Não haverá mais educação sem o uso de tecnologias mediadoras do conhecimento", diz ele.
Mas o que parece irreversível mesmo é a invasão do tempo livre pelas relações de trabalho. E não só as formalizadas por registro em carteira. Até o mais humilde vendedor ambulante enfrenta longas jornadas de trabalho. Ou seja, nem os desempregados estão livres do controle do capital sobre suas vidas. Junto com outros direitos sociais os patrões nos tiram também o direito ao lazer.
No entanto, nada disso é recente. Já em 1883, Paul Lafargue, genro de Marx, escreveu “O direito à preguiça”. O texto denuncia o tratamento sagrado dispensado ao trabalho. Como se não fosse uma tortura para a grande maioria dos que vivem dele. Voltaremos a falar dessa obra em breve.
Leia também: O neoliberalismo nos sindicatos
3 de outubro de 2011
O neoliberalismo nos sindicatos
Várias grandes categorias estão em greve ou saíram delas recentemente. É o caso do pessoal administrativo das universidades federais, dos professores de vários estados, dos trabalhadores dos correios e dos bancários. É a classe trabalhadora exigindo sua parte no tão falado crescimento econômico.
Muitas dessas categorias têm governos como patrões. E se deparam não apenas com o desrespeito e autoritarismo deles. Suas próprias direções sindicais representam obstáculos. É que muitas delas ajudaram a eleger tais governos. E vários de seus diretores foram nomeados para cargos públicos.
No caso dos bancários, o caso parece mais grave. Há muitos anos, as direções sindicais dos trabalhadores no sistema financeiro vêm se rendendo ao discurso patronal. Defendendo diálogos “civilizados” e entendimentos “propositivos” com os tubarões das finanças. Ou seja, assumindo um sindicalismo ao gosto do neoliberalismo.
Na atual greve, não poderia ser diferente. E quem alerta é ninguém menos do que Olívio Dutra. Muito antes de ser governador e prefeito, Dutra foi bancário. Presidiu o sindicato de Porto Alegre nos anos 70. Comandou uma greve geral do setor em 1979. Por isso, foi preso pela ditadura e perdeu seu mandato sindical. É fundador da CUT.
Recentemente, ele criticou o sindicato que presidiu. Desaprovou a contratação de pessoal para distribuir panfletos na atual greve da categoria:
Leia também: Greve dos bancários e superexploração
Muitas dessas categorias têm governos como patrões. E se deparam não apenas com o desrespeito e autoritarismo deles. Suas próprias direções sindicais representam obstáculos. É que muitas delas ajudaram a eleger tais governos. E vários de seus diretores foram nomeados para cargos públicos.
No caso dos bancários, o caso parece mais grave. Há muitos anos, as direções sindicais dos trabalhadores no sistema financeiro vêm se rendendo ao discurso patronal. Defendendo diálogos “civilizados” e entendimentos “propositivos” com os tubarões das finanças. Ou seja, assumindo um sindicalismo ao gosto do neoliberalismo.
Na atual greve, não poderia ser diferente. E quem alerta é ninguém menos do que Olívio Dutra. Muito antes de ser governador e prefeito, Dutra foi bancário. Presidiu o sindicato de Porto Alegre nos anos 70. Comandou uma greve geral do setor em 1979. Por isso, foi preso pela ditadura e perdeu seu mandato sindical. É fundador da CUT.
Recentemente, ele criticou o sindicato que presidiu. Desaprovou a contratação de pessoal para distribuir panfletos na atual greve da categoria:
Esse procedimento é deseducativo e demonstra a desmobilização da categoria. As razões da greve existem, são reais, mas essa prática mostra um descolamento do sindicato da sua base. É a chegada do neoliberalismo ao movimento sindical. Tudo se terceiriza, tudo se compra e se paga, até a militância. (Zero Hora – 01/10/2011)Dutra só se equivocou quanto ao momento. A lógica neoliberal vem ganhando o meio sindical há uns 20 anos. A conquista da CUT é só um pouco mais recente que isso.
Leia também: Greve dos bancários e superexploração
2 de outubro de 2011
Aos neoliberais, a maldição dos neutrinos
Uma notícia abalou o mundo científico no final de setembro. Envolve um experimento realizado no acelerador de partículas conhecido como Cern, na Suíça. Seus resultados parecem contestar um elemento central da Teoria da Relatividade, de Albert Einstein: a idéia de que nada viaja mais rápido do que a velocidade da luz.
Os dados mostram que partículas conhecidas como neutrinos teriam viajado 60 bilionésimos de segundo acima desse limite. Parece pouco, mas se os resultados se confirmarem causarão um grande estrago na ciência física. E com conseqüências para nosso dia-a-dia, também.
Em artigo publicado no jornal O Estado de S.Paulo, em 01-10, Saswato R. Das conta que:
Mas os acadêmicos neoliberais fingem que nada mudou. E os governantes das principais economias continuam a se fiar neles. Não param de adotar medidas neoliberais contra os povos do mundo.
Se o experimento da Suíça se revelar correto, restaria, pelo menos, uma grande esperança. Poderíamos voltar no tempo e exilar os neoliberais numa dimensão espacial paralela ou coisa assim. Que lhes caia sobre as cabeças a maldição dos neutrinos.
Leia também: Eles devem, não negam, nós pagamos
Os dados mostram que partículas conhecidas como neutrinos teriam viajado 60 bilionésimos de segundo acima desse limite. Parece pouco, mas se os resultados se confirmarem causarão um grande estrago na ciência física. E com conseqüências para nosso dia-a-dia, também.
Em artigo publicado no jornal O Estado de S.Paulo, em 01-10, Saswato R. Das conta que:
Qualquer pessoa que usa um GPS para encontrar um endereço está se beneficiando de uma aplicação prática da Teoria da Relatividade - os satélites do Global Positioning System são programados para dar conta dos efeitos da relatividade.Das avisa ainda que se o experimento for considerado correto:
A relação de causa e efeito - a causalidade - seria afetada. Qualquer pessoa viajando mais rápido do que a luz conseguiria ver os fragmentos de um vaso quebrado se recompondo. Os viajantes mais rápidos do que a luz poderiam voltar no tempo - por exemplo, deixar Nova York para Paris numa noite e retornar no dia anterior.Enquanto isso, coisa muito pior vem acontecendo na ciência econômica. Há uns 40 anos, os teóricos neoliberais dominam. Consideram a economia uma ciência exata e o capitalismo, sistema universal e eterno. A crise que começou em 2008 está derrubando esse castelo de cartas.
Mas os acadêmicos neoliberais fingem que nada mudou. E os governantes das principais economias continuam a se fiar neles. Não param de adotar medidas neoliberais contra os povos do mundo.
Se o experimento da Suíça se revelar correto, restaria, pelo menos, uma grande esperança. Poderíamos voltar no tempo e exilar os neoliberais numa dimensão espacial paralela ou coisa assim. Que lhes caia sobre as cabeças a maldição dos neutrinos.
Leia também: Eles devem, não negam, nós pagamos
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