17 de novembro de 2017

A Revolução Russa traída pelos reformistas alemães

Muitas vezes, o debate sobre a Revolução Russa na esquerda descamba para acusações de traição. Principalmente, quando trocam acusações dessa natureza stalinistas e alguns trotskistas.

Restrita a isso, a discussão cai num moralismo inútil para entender os complexos processos históricos envolvidos neste momento fundamental do século 20.

Para Lênin e Trotsky, uma revolução na Alemanha era essencial para salvar a Rússia revolucionária de um isolamento fatal. E, de fato, em janeiro de 1918, uma onda de greves varreu Áustria e Alemanha, envolvendo meio milhão de metalúrgicos.

O problema, diz Chris Harman, em seu “A People's History of the World”, é que os trabalhadores alemães continuavam acreditando em suas direções reformistas, inimigas da Revolução Russa. Estas ilusões eram suficientes para:

...permitir que participassem dos comitês de greve. E foi neles que usaram sua influência para enfraquecer a greve e garantir sua derrota. Rosa Luxemburgo, na prisão de Breslau, havia previsto os perigos que enfrentava a Rússia em uma carta à esposa de Karl Kautsky, Luise, em 24 de novembro:

“Você se alegra com os russos? Claro que eles não vão se manter nesse Sabá de bruxas - não porque as estatísticas revelam um desenvolvimento econômico muito atrasado na Rússia, como o seu inteligente marido calculou, mas sim porque a socialdemocracia, no altamente desenvolvido Ocidente, compõe-se de covardes que, ganindo, observarão tranquilos os russos sangrarem”.

E seriam esses mesmos socialdemocratas, já participando do governo alemão, que permitiriam o assassinato de Rosa Luxemburgo, um ano depois.

Ou seja, pelo menos neste caso, a palavra traição é a que melhor cabe para determinados contextos e seus atores desprezíveis.

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