1 de novembro de 2017

Mais-valia ideológica e as telinhas nossas de cada dia

Em 2011, no artigo “Reflexões sobre a mais-valia ideológica”, Elaine Tavares, apresentava um interessante conceito do marxista venezuelano Ludovico Silva.

Segundo a jornalista, Silva especula se seria possível que à mais-valia produzida na “oficina material capitalista” correspondesse uma mais-valia produzida na “oficina de produção espiritual, subjetiva”. Um excedente que “serviria para fortalecer e enriquecer o capital ideológico do capitalismo, que por sua vez tem como objetivo proteger e preservar o capital material”.

Para Ludovico, diz Elaine:

...os meios de comunicação de massa, com mais força a televisão, seriam o espaço da mais completa expressão dessa mais-valia que se produz na mente do ser que está exposto ao bombardeio sistemático dos meios. O capitalismo precisava de um instrumento para justificar-se perante os homens, e os meios massivos de comunicação vieram bem a calhar, pela sua capacidade de penetração. Segundo ele, a televisão é verdadeiramente uma extensão do mundo material do trabalho, e um homem ou uma mulher, sentados diante da telinha, seguem absolutamente conectados ao processo produtivo. Seja no intervalo das propagandas, que nada mais são do que a ideologia agindo de maneira voraz, ou nos programas de entretenimento, novelas e de notícias. Tudo está eivado de ideologia.

O livro em que Elaine baseia seus comentários é “A mais-valia ideológica”, de 1977. Não é preciso concordar com a polêmica tese Ludovico para perceber que, quarenta anos depois, homens e mulheres já não ficam mais apenas sentados “diante da telinha”. É ela que nos acompanha em quase todos os lugares. E a aparente variedade dos atuais dispositivos só aumenta sua eficácia como reprodutores dos valores da ideologia dominante.

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