Irene utiliza a cena para lembrar que, desde os primeiros séculos da escrita até a Idade Média, a norma sempre foi ler em voz alta, para nós mesmos ou para outros.
Um texto escrito era como uma partitura muito básica. Por isso, as palavras apareciam, uma atrás de outra, numa cadeia contínua sem separações nem sinais de pontuação, diz a autora. Era preciso pronunciá-las para entendê-las. Eram frequentes as leituras em público e os relatos que agradavam andavam de boca em boca. Desse modo, diz Irene:
...os leitores antigos não tinham a liberdade da qual você desfruta para ler à sua vontade as ideias ou as fantasias escritas nos textos, para parar, para pensar ou para sonhar acordado quando lhe apetece, para escolher e ocultar o que escolhe, para interromper ou abandonar, para criar os seus próprios universos. Esta liberdade individual, a sua, é uma conquista do pensamento independente face ao pensamento tutelado, e foi conseguida passo a passo ao longo do tempo.
Você é um tipo de leitor muito especial e descende de uma genealogia de inovadores, afirma a autora. Este diálogo silencioso, livre e secreto, é uma invenção surpreendente, conclui ela, em grande estilo.
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Passagem maravilhosa desse livro maravilhoso onde ela associa essa beleza de filme com os sons que emitimos no pensamento com o som que os antigos faziam ao ler. Aliás, tem algumas pessoas que conheço que gostam de ler em voz alta. Bela Pílula também. Bjs.
ResponderExcluirValeu, beijos!
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