quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Era Lula: pobre é baratinho

Lula é um grande comunicador. Pode-se discordar do que ele fala. Difícil não entender o que diz. Um exemplo:

“Tem rico que vem aqui, te pede um bilhão de reais e sai falando mal de você. O pobre te pede dez reais e fica agradecido pelo resto da vida.”

A frase foi publicada na revista Isto É de agosto passado. Não deixa de ser coerente.

O Bolsa-Família é considerado o maior programa social do mundo. Entre 2003 e 2009 o programa ficou com 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB).

Parece muito, mas não é. É só comparar com outros gastos públicos. O superávit primário, por exemplo, mordeu mais de 3% do PIB em média, no mesmo período.

O superávit primário é uma invenção maldita dos tucanos. Trata-se da diferença entre o que os governos gastam e arrecadam. O que sobra não pode ser usado em obras necessárias para a população. Tem que ir para o pagamento dos juros da dívida pública. Aquela que já está em mais de R$ 2 trilhões. A mesma que virou o cassino em que os muito ricos apostam, negociando papéis que pagam os maiores juros do planeta. Por isso, o superávit primário também é chamado de renda mínima dos capitalistas.

Ganhando Dilma ou Serra, o pessoal do andar de cima não precisa se preocupar. O orçamento de 2011 já garantiu R$ 125 bilhões para o superávit primário. Aprovado em lei com a ajuda de tucanos e petistas.

Eles confiam na avaliação de Lula de que pobre é baratinho. Uma crença que pode lhes custar caro, se os bons ventos da economia mundial mudarem de rumo.

Leia também: Era Lula: banquete e migalhas

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