quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Educação que reforça a desigualdade

“O fosso que separa as escolas públicas das privadas no País aumentou nos últimos três anos”. Esta é a conclusão apresentada pela reportagem de Simone Iwasso, publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, em 08/12/2010. Baseia-se em números do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, em inglês).

O Pisa é um exame realizado a cada três anos que avalia estudantes de 15 anos em todos os países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A organização reúne os países mais industrializados do planeta. O Brasil participa como convidado desde 2000.

A reportagem diz que aumentou a distância entre as pontuações obtidas pelos estudantes das redes privada e pública. Em 2006, as escolas privadas ficavam 109 pontos à frente. Em 2009, essa vantagem cresceu para 121. Na rede pública, só alcançam níveis melhores, alunos das escolas federais. Nestas, o desempenho verificado se aproxima do encontrado nas escolas particulares.

O problema é que a maioria das instituições federais utiliza mecanismos de seleção rigorosos. Acabam acolhendo alunos em melhores condições econômicas. Reproduzem o tal “fosso”, em que a maioria dos estudantes pobres vai ficando para trás. Reforçam a já resistente desigualdade social brasileira.

O fato é que as elites econômicas e políticas brasileiras sempre desprezaram a educação. São vários os motivos para isso. Entre eles, a idéia de que povo não precisa de instrução, apenas adestramento para o trabalho. Ainda mais, se considerarmos que passamos quase 400 anos de nossa história utilizando trabalho escravo. Herança pesada, reforçada constante e eficientemente pelos poderosos.

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