sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Turismo: destruição e chatice

Virada de ano é época de turismo. Cristina Dantas escreveu matéria para a edição do Valor de 23/12. Diz que as viagens turísticas pularam de 25 milhões em 1950 para mais de 960 milhões em 2010. Mesmo ano em que o Brasil tornou-se campeão mundial nesse tipo de deslocamento. Conseqüência do dólar fraco. Muito provavelmente, resultado da enorme concentração de renda.

Por muito tempo, viajar a passeio significou maravilhar-se com lugares, costumes e pessoas diferentes. Com o turismo de massa, tornou-se cada vez mais uma correria para consumir. E para adquirir pequenos troféus que são exibidos a amigos e parentes como provas de prestígio social.

O turismo de massa cria ocupações e gera renda. Cobra um preço muito alto por isso. Enormes hotéis e centros turísticos são construídos. Gente pobre e “feia” é expulsa de lugares bonitos para que os ricos possam contemplá-los. O lixo que produz envenena flora e fauna. O meio ambiente e as populações nativas são suas maiores vítimas.

A destruição também é cultural. Costumes e tradições transformam-se em objetos e serviços com valor de troca. A lucratividade passa a determinar o que pode ser conhecido e reconhecido como costume e tradição. O artesanato das “feirinhas”, por exemplo, está cada vez mais parecido em toda parte.

Até as paisagens vêm sendo uniformizadas pelos símbolos do consumo capitalista. São placas vermelhas da Coca-Cola, amarelas da Skol, azuis da Antártica. Praias e montanhas tomadas por logotipos. Já não há o velho e saudável desconforto causado pela visita a paragens desconhecidas. Em seu lugar, a familiaridade chata da mercadoria.

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