terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A ração nossa de cada dia

“Dez empresas dominam o mercado global da produção de alimentos”. É o que diz reportagem de Vivian Oswald publicada pelo jornal O Globo em 20/02/2011. Segundo a matéria, entre essas empresas estão Cargill, Bunge, Louis Dreyfus e ADM. Elas concentram “cerca de 67% das marcas registradas de sementes e 89% dos agroquímicos”.

Ainda segundo a reportagem, as redes de supermercados Carrefour, Walmart e Pão de Açúcar controlam metade dos alimentos comercializados no Brasil. Como resultado, esses monopólios têm enorme poder para controlar os preços dos alimentos. Daí, as dificuldades para reduzi-los.

A matéria de O Globo chama a atenção para outra conseqüência desse monopólio. A reportagem ouviu o diretor de Política agrícola e Informações da (Conab), Silvio Porto. Ele disse que as redes de supermercados brasileiras impõem até o tipo de sementes que pode ser plantado. Com isso, eles:
“...determinam uma espécie de padronização nos hábitos de consumo segundo os seus próprios interesses. Ao ignorar os regionalismos, sujeitam o país inteiro às oscilações de preços sem abrir margem para a substituição de produtos por iguarias locais, obrigando o consumidor do Nordeste ao Sul a consumir os mesmos itens“, diz Porto.
Só o Pão de Açúcar tem uma rede de 415 fornecedores exclusivos. É o monopólio que se transforma em monopsônio. O monopsônio surge quando um determinado mercado é dominado por um só um comprador. É um cliente todo poderoso, que impõe seus interesses aos pequenos produtores.

Os capitalistas costumam acusar o socialismo de uniformizar a vida social. Mas, a monopolização capitalista está padronizando até nosso cardápio diário. Só se distingue do falso comunismo de tipo soviético pelo colorido vulgar da publicidade. E pela competência muito maior em transformar comida em ração.

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