quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Os jovens como exército rebelde de reserva

Para Marx, os desempregados formam um exército industrial de reserva à disposição dos capitalistas. Aqueles que estão excluídos da produção servem como elemento de pressão sobre os que estão empregados. Se estes se revoltam, podem ser rapidamente substituídos pelos desempregados.

Este contingente costumava ser formado por peões de fábrica e outros trabalhadores braçais. Mas isso vem mudando. É o que indica, por exemplo, a antropóloga Regina Novaes em artigo publicado na revista Carta Capital, em 14/09. Referindo-se à participação da juventude em revoltas na Espanha, Chile e Inglaterra, ela diz:
...quando se procura o que há em comum entre o que está ocorrendo com os jovens dos três países evidencia-se a falência do casamento entre educação e trabalho.
Ou seja, os jovens capacitam-se profissionalmente. Graduam-se nas universidades, mas não encontram lugar no mercado de trabalho.

Ainda na década de 1860, Marx afirmou que “a indústria moderna” faz da ciência uma “força produtiva”. Não estava referindo-se diretamente aos portadores de diploma de seu tempo. Naquela época, ainda parte de uma elite. Mas sua afirmação ajuda a explicar a atual situação da juventude diplomada.

O capitalismo precisa cada vez mais de força de trabalho com formação científica. Mas é incapaz de absorver todos os que saem das universidades. O resultado é mais desemprego, mais pressão sobre os que estão empregados e mais contradições. Entre elas, o retorno da juventude rebelde às praças e ruas.

Algo que teve sua primeira explosão em Maio de 68. Naquele momento, uma das frases pichadas nas paredes dizia: "O patrão precisa de ti. Tu não precisas dele". Quando a maioria entender isso, o exército de reserva poderá se voltar contra seus comandantes.

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