12 de dezembro de 2017

Estatísticas, luta de classes, disputa de hegemonia

Estatísticas não costumam ser muito úteis para os que travam a luta de classes do lado dos explorados e oprimidos.

Afinal, a ideia de “assunto de estado” faz parte das origens da palavra “estatística”. Sua função principal sempre foi a de fornecer dados para aperfeiçoar o controle dos que dominam.

Já para os que acreditam na transformação social a partir de baixo, a melhor “estatística” seria a que resulta da convivência com os setores dominados.

Mas, mesmo com essas ressalvas, é importante atentar para os dados da pesquisa “Nós e as desigualdades. Percepções sobre desigualdades no Brasil”, realizada recentemente pela Oxfam e o Datafolha.

Algumas delas assustam mesmo os mais atentos. Para ter uma ideia de nossa desigualdade social, uma pessoa que recebe três salários mínimos mensais já pode ser incluída no grupo dos 10% mais ricos.

No entanto, o levantamento descobriu que quase metade da população, acredita que para acessar aquele restrito grupo dos 10% mais ricos, seria necessário receber R$ 20 mil mensais, ou mais de 20 salários mínimos.

E aí entra a disputa de hegemonia. Até existe uma percepção geral sobre a desigualdade social brasileira. Mas ela é insuficiente por parte dos que mais sofrem com ela.

Por outro lado, há dados positivos em relação a outros problemas. É o caso da compreensão majoritária de que os ricos pagam pouco imposto no Brasil. A maioria também entende que negros e mulheres recebem salários menores por serem discriminados.

Por essas e outras, e para pensarmos em termos de disputa hegemônica, clique aqui e leia entrevista com Rafael Georges, coordenador do levantamento.

Leia também: Estatísticas pouco úteis para a luta de classes

Nenhum comentário:

Postar um comentário