Doses maiores

11 de fevereiro de 2020

As tropas do fascismo estão prontas

Em seu início, na Itália e na Alemanha, o fascismo recrutou muitos veteranos da Primeira Guerra. Ex-soldados, jogados de volta a suas cidades, sem emprego e perspectivas.

Muitos deles sentiam que tinham arriscado suas vidas por nada. Nos acordos de paz celebrados após o conflito, os vencedores impuseram condições degradantes à Alemanha.

No caso da Itália, havia um agravante. O país pertencia ao lado vitorioso, mas teve suas principais reivindicações territoriais desprezadas pelos aliados.

A culpa era dos governos e das elites, diziam muitos desses veteranos. Consideravam-se os únicos defensores da pátria contra a arrogância imperialista, de um lado, e a ameaça soviética, do outro.

Mussolini e Hitler, também ex-combatentes, souberam capitalizar toda essa revolta. Organizaram os veteranos em tropas extremamente violentas a serviço de seus fins. Direcionaram a brutalidade que os soldados aprenderam nas trincheiras contra seus alvos preferenciais: comunistas, socialistas, sindicalistas, judeus, ciganos, homossexuais.

No Brasil, não temos ex-combatentes à disposição da extrema-direita. As agressões a nossa soberania independem da ocorrência de guerras e costumam ser ignoradas por nossos “patriotas”. Além disso, muitos dos atos violentos que ocorrem nas ruas são cometidos não por militares desmobilizados, mas pelos da ativa. Tanto no exercício de suas funções como fora delas, na condição de milicianos.

Apesar dessas diferenças todas, o fascismo local já conta com tropas a sua disposição. Sem respeito por nada ou ninguém que lhes seja estranho. Para comprová-lo, basta lembrar mais uma das muitas evidências de como elas operam.

Trata-se da imagem que mostra um PM com o joelho apoiado na barriga de uma mulher grávida, após tê-la jogado ao chão.

2 comentários:

  1. Sergio, estava vendo um vídeo do Leandro Karnal em que ele falava que a 1a Grande Guerra era considerada a guerra definitiva para que não houvessem outras. Embora os que lutaram já sabiam que seus filhos iriam para a próxima, como de fato aconteceu. Nós não temos mais grande guerras (será que poderemos vir a ter? e se tiver talvez seja a última mesmo, porque não vai sobrar mais humanidade sobre a terra, acho que só por isso se evita), mas temos guerras cotidianas de manutenção da dominação imperialista, outras no cotidiano mesmo de manutenção do capitalismo, como essas de exércitos regulares disfarçados de segurança.

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    1. Que eu saiba o consenso entre os especialistas é que uma guerra em nível mundial é cada vez mais difícil. Eles falam em guerras "por procuração" em que as grandes potências envolvem os outros países em conflitos que interessam a seus objetivos geopolíticos. Tipo o que vem acontecendo na Síria. Por outro lado, a potência emergente hoje é a China, cujos laços econômicos com a economia americana são fortes demais para envolver os dois num conflito. Mas, claro, nada disso é garantia que a loucura não se estabeleça e o pior aconteça.

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