24 de abril de 2018

A peste branca mata índios há séculos

A Amazônia do começo do século XVI estava cheia de gente, diz Reinaldo José Lopes, no livro “1499: O Brasil antes de Cabral”. Seriam cerca de 8 milhões de pessoas na região, em 1500.

Hoje, não chegam a 900 mil no país todo. Foram dizimados e continuam a sê-lo. Mas, ao contrário do que se costuma dizer, não foi a superioridade militar dos invasores brancos o fator determinante para essa mortandade. Pelo menos, não logo no início.

A tecnologia militar baseada na pólvora não era exatamente uma maravilha naquela época. Os indígenas contavam, por exemplo, com "flechas medindo cerca de 1,60 metro, com pontas que podiam ser de bambu, de dente de tubarão ou mesmo de ferrões de arraia”, capazes de atravessarem um homem e “ir pregar no chão”.

As armas de fogo europeias tinham “principalmente um efeito moral, causando pânico nas fileiras indígenas”. Mas um índio lançaria uma dúzia de setas antes de um português recarregar seu arcabuz.

A causa principal da rápida dizimação desses povos foram “doenças infecciosas trazidas pelos colonizadores, que conseguiram exterminar indígenas com uma eficácia superior a qualquer canhão ou arcabuz europeu”.

Eram, principalmente, sarampo, varíola, rubéola e gripe. E nem era necessário o contato direto com os europeus:

Alguém que nunca tinha visto um branco na vida poderia morrer de sarampo ao entrar em contato com um mercador indígena que visitara uma aldeia por onde jesuítas tinham passado uma semana antes, por exemplo.

Hoje, os índios desenvolveram anticorpos para a maioria daquelas moléstias. Mas continuam a morrer doentes ou da força bruta. Continuamos sendo sua patologia mais letal.


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