22 de maio de 2018

Gandhi e Lênin: uma comparação

O que haveria de comum entre Lênin e Gandhi? É isso que discute um dos capítulos do livro “A Não Violência – Uma história fora do mito”, de Domenico Losurdo.

Segundo o autor, tal como ocorre no caso de Gandhi, “a disponibilidade ao sacrifício e o desafio à morte desempenham um papel importante também no partido de Lênin”.

Mas nesse último, a disponibilidade ao sacrifício, “é estimulada pela convicção de agir em consonância com a corrente irresistível da história”. Já no partido de Gandhi, opera “a convicção de contar com a ajuda divina”.

Além disso, no sacrifício da própria vida exigida ao militante do partido bolchevique “não há a convicção de que a morte terrena é só uma passagem e falta o culto do martírio e do seu valor de salvação”.

Diferente do líder indiano, Lênin era contra a participação na Primeira Guerra. Segundo ele, os trabalhadores e povos em geral seriam utilizados como carne de canhão pelos imperialistas no conflito.

Por outro lado, os bolcheviques queriam transformar a guerra imperialista em conflito civil entre os trabalhadores e seus patrões. Foi sob essa orientação que os soldados russos voltaram suas armas contra os próprios comandantes e derrubaram a burguesia.

Mas para alcançar tal objetivo milhares de militantes bolcheviques se alistaram para ir às trincheiras fazer propaganda do socialismo. De novo, o engajamento quase suicida desempenhou papel fundamental.

Nada disso justifica a criação de “esquadrões suicidas” como resposta à violência estatal e fascista. Trata-se de organizar a autodefesa. Mas o nível de barbárie imposto pelas classes dominantes, muito frequentemente, transforma a mais simples resistência em martírio.

Leia também: A sangrenta não-violência de Gandhi

Um comentário:

  1. "Mas o nível de barbárie imposto pelas classes dominantes, muito frequentemente, transforma a mais simples resistência em martírio"
    Exato, Sérgio.
    Quem já esteve nas ruas se manifestando "pacificamente" no Brasil sabe que isso é a mais dura e triste realidade.

    Abraço
    Bruno

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