5 de junho de 2018

Gandhi e Marthin Luther King: uma comparação

Costuma-se apresentar Martin Luther King como um “Gandhi negro”. Em seu livro “A Não Violência – Uma história fora do mito”, Domenico Losurdo mostra significativas diferenças.

Para King havia casos em que a violência a partir de baixo pode ser justificada. É o caso da África do Sul do apartheid.

Ele recomendava a avaliação realista das relações de força, não sua recusa incondicional. Achava, por exemplo, que qualquer tentativa por parte dos negros americanos de derrubar o opressor com violência jamais seria bem-sucedida:

Quem lidera uma rebelião violenta deve estar apto a oferecer uma avaliação honesta do número de vítimas que provavelmente vai haver em uma população que se levanta contra uma maioria rica e bem armada, que inclui uma facção de fanáticos direitistas, prontos para aproveitar com alegria a ocasião de exterminar milhares de homens, mulheres e crianças negros.

Ainda, segundo King:

Nunca uma revolução interna conseguiu derrubar um governo com meios violentos, a não ser quando o próprio governo já tinha perdido a fidelidade e o comando efetivo das próprias forças armadas. E todos em sã consciência sabem que nos Estados Unidos isso não acontece.

Realmente, foi uma situação como essa que permitiu a tomada do poder pelos sovietes em 1917.

Diferente de Gandhi, King recusava os meios violentos principalmente quando eles se concentram na exposição suicida dos revoltosos às forças repressivas.

Engels concordaria. Em 1895, na Introdução de “As Lutas de Classes na França”, ele respondeu aos “que nos acusam, hoje em dia, de moleza por não descermos diretamente às ruas”, que não havia porque fazê-lo “quando temos de antemão a certeza da derrota”.

2 comentários:

  1. Me decepcionei um pouco com uma informação do documentário Vietnam War que mostra que o MLK Jr hesitou bastante em entrar na campanha contra a Guerra.
    Ele aderiu somente em 1967 (8 anos depois do início), segundo a visão do diretor porque tinha uma certa dívida de gratidão com o presidente Johnson em virtude da atuação deste em relação ao avanço dos direitos civis.
    Enfim, antes tarde do que nunca, mas vale o registro.

    Abraço
    Bruno

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    1. No livro do Losurdo, ele fala sobre isso. King realmente demorou a começar a ver as coisas de um ponto de vista mais classista.

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