terça-feira, 12 de julho de 2016

A luta de classes tem que ser feminista

Há quem diga que o feminismo tem que ser classista. Mas o contrário é ainda mais verdadeiro.

É o que mostra reportagem publicada no “Brasil de Fato” por Márcio Zonta, em 09/07. Segundo o título, “Sete estados mineradores concentram 31,2% dos casos de violência contra a mulher”. São eles Pará, Minas Gerais, Bahia, Goiás, Maranhão, Piauí e São Paulo.

No município mineiro de Divinópolis, por exemplo, trabalhadoras dirigem enormes caminhões que transportam minério. Enfrentando turnos de oito a dez horas, elas não têm onde urinar, levando a casos de incontinência urinária que as obriga a usar fraldas geriátricas.

Recebendo salários menores, a força de trabalho feminina nas minas cresceu 28% em 2013. Mas há 18% de mulheres que trabalham sem remuneração. A maioria, em garimpos, “ajudando” os maridos. Muitas vezes, levam seus filhos pequenos.

O ritmo exaustivo do trabalho pode contribuir também para o crescimento de casos de agressão a mulheres. Registros policiais mostram que 80% dos casos de violência contra a mulher em Divinópolis envolvem trabalhadores da Vale.

E ainda há os casos de abuso e exploração sexual infantil. Em Bom Jesus das Selvas, Maranhão, a chegada de 3 mil homens para trabalhar na Estrada de Ferro de Carajás causou o aumento de casos de gravidez em meninas com idade entre 13 e 16 anos.

Em “A Sagrada Família”, Marx disse que o progresso da mulher e de sua liberdade mostrariam o grau em que “a natureza humana” pode triunfar sobre a bestialidade. Se o movimento sindical e a esquerda não assumirem este combate, continuarão a cerrar fileiras com as bestas do capital.

Leia também: Dia Internacional da Luta Feminista

2 comentários:

  1. Essa referência à fala de Marx sobre emancipação feminina me era desconhecida. Trata-se de tema pouco abordado nas conversas sobre política.

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  2. Sim! Marx também não escapava de ser machista. O mesmo não se pode dizer de sua obra.

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