quarta-feira, 9 de agosto de 2017

A grande extinção de empregos e o abismo

“A grande extinção de empregos” é o título de artigo publicado por Pedro Doria no Globo, em 28/07. Ele cita, por exemplo, Carlos Slim, terceiro homem mais rico do planeta, cuja fortuna vem de investimentos em alta tecnologia.

Segundo o bilionário mexicano, pela primeira vez na história “o número de empregos criados será menor do que o de extintos”. Resultado dos progressos na automação do trabalho, incluindo forte avanço em inteligência artificial.

Não seria problema, caso esse desparecimento de empregos implicasse a substituição da imensa maioria das ocupações cansativas, perigosas, insalubres e aborrecidas por atividades prazerosas e carregadas de sentido. Ou ainda uma diminuição radical da jornada de trabalho, sem redução salarial. Mas o resultado muito provável será mais desemprego. Pobreza, idem

Lideranças do grande capital como Bill Gates, Mark Zuckerberg e Bill Clinton defendem a adoção de uma renda básica universal para diminuir os efeitos do desaparecimento de ocupações. Querem salvar o capitalismo, mas dificilmente contarão com a concordância da imensa maioria dos grandes capitais, cuja fome por lucros é insaciável.

O mesmo Pedro Dória, em texto anterior, de 16/06, observou que a última vez em que ocorreu um abalo parecido no mundo da produção “foi no início do século XX”. Naquele momento, teria havido uma desorganização tão grande na estrutura do trabalho “que do caos nasceram os movimentos fascista e comunista. Já está com cheiro de que pode acontecer de novo”.

Só faltou dizer que fascistas e comunistas olham para direções opostas. Os segundos podem estar desorientados, mas os primeiros apostam todas as suas certezas no caminhos que levam ao abismo.

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