25 de julho de 2018

Engels, o agente secreto de Marx em Manchester

Segundo a biografia “Karl Marx”, de Francis Wheen, em agosto de 1850, os problemas financeiros da família Marx eram tão graves que Jenny foi à Holanda implorar ajuda a um tio de Karl.

Era Lion Philips, rico empresário cujo sobrenome é famoso, hoje, por seus aparelhos eletroeletrônicos. Consciente das atividades de seu sobrinho, a ajuda de Philips limitou-se a um pequeno presente ao mais novo dos filhos do casal.

Diante disso, só restou apelar novamente ao amigo de todas as horas. Engolindo sua enorme repulsa ao mundo dos negócios, Engels foi trabalhar no escritório da tecelagem de seu pai em Manchester.

De seu gabinete, Engels agia como uma espécie de agente secreto por trás das linhas inimigas. Enviava a Marx detalhes confidenciais do comércio de algodão, observações especializadas sobre o estado dos mercados internacionais e, principalmente, pequenas remessas de dinheiro desviado do caixa da empresa.

Manter a regularidade dos envios sem levantar suspeitas, no entanto, significava, algumas vezes, deixar a família Marx sem dinheiro. Em uma ocasião, escreveu: “Infelizmente ainda não estou em condições de lhe enviar as duas libras que prometi, pois o valor total no caixa é de apenas quatro libras. Infelizmente, será preciso esperar um pouco”.

Mas nem sempre Engels conseguia evitar atitudes estranhas. Aqueles com quem convivia em Manchester não entendiam, por exemplo, seu desânimo quando a economia ia bem e bom humor quando o contrário acontecia.

Na verdade, Engels ansiava desesperadamente por uma grande crise econômica que abrisse oportunidades revolucionárias. Não apenas para libertar grande parte da humanidade de sua condição proletária, como a ele mesmo de seu calvário burguês.

2 comentários:

  1. Ouvi falar do "bom burguês", casos raríssimos de burgueses que contribuíam com sua renda para causas revolucionárias. Acho que Engels é um caso único de burguês além do bem, tratava-se de um anjo exterminador.

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