27 de julho de 2018

Eleições em Gotham City

A confusão reina em Gotham City. Aproximam-se as eleições e os supervilões trocam sopapos para chegar ao poder na cidade. A bagunça ficou ainda maior porque quase todos se parecem com o Charada.

A começar pelo líder das pesquisas. Ninguém tem muitas dúvidas quanto ao que Bolsonaro pensa sobre mulheres, negros, gays, socialistas e sindicalistas. E, se eleito, certamente a vida pioraria muito para a ralé da cidade. Até aí, tudo bem para o bando mafioso que domina Gotham. Mas não se sabe o que o tresloucado faria em relação a economia, mercado, relações exteriores etc. Daí a resistência da elite local em adotá-lo como seu malvado favorito.

Outro forte candidato a ser o Charada é Ciro Gomes. Mas sua retórica nacionalista e pseudoesquerdista oscila cada vez mais. Ora, aproxima-se dos vilões, ora diz defender os fracos e oprimidos. De modo que nesse movimento pendular desloca-se como se fosse o Pinguim.

Alckmin e Marina são os próprios enigmas uniformizados. Não pelo que defendem, mas porque ninguém sabe com certeza qual é seu potencial eleitoral.

O fato é que o único personagem capaz de realmente colocar ordem nisso tudo seria o Coringa. Não o vilão do sorriso arreganhado, mas aquele do baralho. Uma figura que já mostrou ser capaz de apaziguar os de baixo e garantir tranquilidade aos mafiosos que governam em cima.

Ele existe e teria enormes chances de vitória, não fosse um magistrado duas-caras tê-lo trancado na cadeia de uma cidade no sul do País.

Mas, cadê o Batman, perguntariam todos. Bem, este é o único personagem verdadeiramente imaginário nessa delirante e triste Gotham City.

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2 comentários:

  1. Serginho, muito boa. Estes seus títulos para as Pílulas estão "de morte" (creio que expressão apropriada para esta Pílula), quase não tomo o habitual café da manhã, que precede a leitura das Pílulas, só para ver que merda estava querendo com esta. Muito sagaz a analogia das eleições no Brasil com Gotham City. De quebra uma referência ao filme "Malvado Favorito". Final lírico e onírico fazendo do Batman o nosso "imaginário delirante" (se me permite um complemento) e sombrio de uma saída de Gotham City. Muitos beijos.

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