31 de julho de 2018

Vitórias de Marx nos tribunais

Em sua biografia sobre Marx, Francis Wheen conta que em 1849, ele e Engels foram levados a julgamento em Colônia, na Alemanha, acusados de insultar o promotor público local. Em um discurso de uma hora, Marx mostrou a mente brilhante que o Direito perdeu quando ele se recusou a seguir a carreira do pai:

Prefiro seguir os grandes acontecimentos do mundo, analisar o curso da história, do que ocupar-me com chefes locais, com a polícia e com magistrados de acusação. Por maiores que esses senhores possam imaginar-se em sua própria fantasia, não são nada, absolutamente nada, nas gigantescas batalhas da atualidade. Eu considero que estamos fazendo um verdadeiro sacrifício quando decidimos cruzar lanças com esses oponentes. Mas, em primeiro lugar, é dever da imprensa avançar em nome dos oprimidos (...). Seu dever prioritário é minar todos os fundamentos da situação política existente.

E sentou-se sob os aplausos de uma sala de audiências lotada. Marx e Engels tinham conquistado sua absolvição.

Mal houve tempo para comemorações. No dia seguinte, Marx estava de volta ao tribunal com outros membros do Comitê Distrital dos Democratas do Reno. Desta vez, acusados ​​de "incitamento à revolta". Tratava-se de uma manifestação do Comitê em apoio a uma milícia popular formada para lutar contra impostos extorsivos que haviam sido aprovados pouco antes. Marx arrancou nova absolvição, ao lembrar o direito reconhecido pela constituição vigente à “revolta por todos os meios” contra abusos fiscais.

Foi a gota d´água para o governo. Em alguns meses, Marx seria expulso da Alemanha, sem direito a julgamentos e a novas chances de proferir seus brilhantes discursos de defesa.

Leia também: Engels, o agente secreto de Marx em Manchester

Um comentário:

  1. O pior é que essa justiça burguesa vem coroada de ser universal, e defendida até pelo proletariado. Não defendendo Lula e PT, mas é o que estamos vendo.

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