quinta-feira, 17 de maio de 2012

Doping mental e capitalismo

Em 11/05, o jornal Valor publicou uma reportagem sobre drogas para turbinar a inteligência. Escrita por Diego Viana e Flavia Tavares, a matéria recebeu o título “A cabeça infatigável”.

O texto trata do uso de medicamentos nootrópicos. Em grego antigo, "noos" significa intelecto. Eles são diferentes dos psicotrópicos, que atuam sobre a “psyche”, que diz respeito às emoções. Mas as coisas não param por aí:
Além dos medicamentos, também se dissemina o tratamento de choque feito em casa. Quem obtiver uma receita médica nos EUA pode adquirir, por US$ 600, um aparelho que estimula diretamente o cérebro, mais precisamente o córtex frontal, por meio de eletrodos e uma corrente contínua de até nove volts.  
O assustador nem é o caráter artificial de tudo isso. Nossa espécie vive tentando superar seus limites naturais, incluindo os da percepção. O problema é que já não se trata de buscar novas sensações, como no caso dos alucinógenos. A finalidade é puramente competitiva.

A matéria mostra o caso de um candidato ao cargo de diplomata. Ele diz que “em concursos como este, em que cada décimo de ponto faz toda a diferença, se eu puder atribuir uma única resposta certa aos remédios, já valeu a pena." Também diz que esse doping mental:
... apareceu nos anos 1990, com estudantes universitários americanos. Eles passaram a tomar modafinil e metilfenidato (que combate o déficit de atenção) para obter notas melhores. Hoje, começam a aparecer indícios de propagação para o mercado de trabalho. No californiano Vale do Silício, onde a velocidade de raciocínio é de longe o maior ativo profissional, o modafinil ficou conhecido por "droga do empreendedor" e "cocaína do século XXI".
Ou seja, a meta é produzir mais e por mais tempo. Elevar a produtividade mesmo que isso leve a dependência, doenças e sequelas. Ao contrário de outras drogas, o doping mental afunda o usuário na vida profissional. Enterra sua existência na ordem social competitiva, mais conhecida como capitalismo.

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