quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Sem saber, participamos da mais óbvia conspiração

Em 21/09, completaram-se os 150 anos do nascimento de H.G. Wells. Suas obras mais famosas são “A Máquina do Tempo”, “O Homem Invisível” e “A Guerra dos Mundos”.

Mas poucos conhecem o lado autoritário e elitista do autor inglês, que se mostra mais claramente em seus livros menos conhecidos. É o caso de “Conspiração Aberta”, publicado no Brasil pela Vide Editorial. No site da editora, a apresentação do livro diz:

Neste trabalho, a conspiração está completamente esquematizada: ela deveria ser executada por diversas organizações separadas, mas que trabalhassem juntas, ao invés de ser feita por um grupo apenas.

Os tópicos abordados vão desde a ideia da conspiração até detalhes de sua implementação, tais como a função da religião e da educação nesse esquema, o modo como ele deveria se desenvolver - de um movimento de discussões e debates à programação de atividades -, a vida humana tal como deveria se dar na nova e planejada comunidade global - entre outros.

Não seria exagero paranoico ver na descrição acima uma antecipação de nossas atuais redes virtuais, dominadas por enormes corporações. Seja em interações via Facebook, WhatsApp, Twitter, seja pela enorme apropriação de informações sobre nossos hábitos e preferências, principalmente por meio do consumo.

Seja como for, esses mecanismos ameaçam condicionar nossas decisões fazendo uso de engenhosos algoritmos. Trata-se de uma conspiração que não apenas é explícita, como defendia Wells. Também conta com a nossa colaboração, mesmo que sejamos nós suas maiores vítimas.

Duvida? Pesquise no Google, agora, e obtenha a melhor comprovação para qualquer teoria. Você mesmo vai colocá-la em prática ao tentar verificar sua existência.

Leia também: Jornada de trabalho e vampirização de almas

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Crimes de Lula. Mais provas

Em novembro de 2006, Lula afirmou que a questão indígena estava entre os entraves ao desenvolvimento nacional.

Esta visão se traduziu em uma política de enorme desprezo pelas causas indígenas. Quanto à homologação de suas terras, por exemplo, os governos petistas perderam para os dos tucanos pelo placar de 84 a 148, segundo a Fundação Nacional do Índio.

O outro lado dessa política foi a entrega e destruição de territórios indígenas por grandes projetos como Belo Monte e o Complexo Tapajós. Obras que faziam parte do Programa de Aceleração de Crescimento, utilizado fartamente por Lula para eleger sua sucessora.

Mas o mais grave são os seguintes números divulgados pelo Conselho Indigenista Missionário:

...foram registrados 167 assassinatos de indígenas no governo FHC, média de 20,8 mortes por ano. Já no governo Lula o número subiu para 452 assassinatos, 56,5 em média por ano, ou crescimento de 271%. Em 2011, o primeiro ano do governo Dilma, foram contabilizados 51 assassinatos de indígenas pelo CIMI e em 2012 outras 57 mortes, de acordo com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), média de 54 mortes por ano, próxima à do governo Lula e 260% maior do que a do governo tucano.

Esses dados vergonhosos são produto direto da aposta dos governos petistas no complexo empresarial “agro-minerador” dominado pelos gigantes do setor.

São crimes como esses que Lula realmente cometeu enquanto ocupou ou frequentou o Palácio do Planalto. É por eles que deveria responder. São eles que devemos lembrar para que a luta pela derrubada de Temer jamais se confunda com mobilizações pela volta do PT ao poder.

Leia também: Crimes de Lula. Com provas

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Bayer e Monsanto: mais veneno na sua mesa

A união Bayer/Monsanto está sendo considerada a maior da história, envolvendo 66 bilhões de dólares. Uma pechincha para o tamanho dos lucros que virão.

A operação dará à Bayer acesso a sementes de soja e trigo, incluindo as transgênicas. A Monsanto acrescentará à sua produção mais de 80 agrotóxicos. Para a grande maioria da população mundial estão reservados enormes prejuízos ambientais, incluindo sérios danos à saúde.

A “Coalizão contra os Perigos da Bayer”, de origem alemã, diz que o monopólio imposto ao mercado pela empresa paralisa as pesquisas de herbicidas há 25 anos. Como resultado, cada vez mais plantas se adaptam aos produtos da empresa e os agricultores precisam utilizar mais agrotóxicos, “com efeitos devastadores sobre a biodiversidade”.

Apesar disso, a Bayer tem reputação muito melhor que a Monsanto. Mas não deveria. Em 2001, por exemplo, a empresa precisou retirar o medicamento Lipobay do mercado mundial. A droga para tratamento de colesterol causou a morte de uma centena de pessoas.

No Brasil, temos muito com que nos preocupar. Como maiores consumidores mundiais de agrotóxicos, cada brasileiro ingere 5,2 quilos de veneno anuais, contra os 1,8 quilos por estadunidense.

Mas não é a primeira vez que as duas empresas se unem. Entre 1954 e 1967, elas formaram a Mobay Chemical Corporation. A principal missão da nova empresa foi fornecer ao Exército dos Estados Unidos o Agente Laranja. Utilizado na Guerra do Vietnã, o produto matou pelo menos 400 mil pessoas.

Mais do que nunca, faz sentido a pergunta que faz o documentário de Silvio Tendler, “O veneno está na mesa”: até quando vamos engolir isso?

Crimes de Lula. Com provas

Lula não deveria ser julgado por possuir um tríplex que ninguém provou ser dele. Há coisas muito mais graves.

Em 13/9, Joaci Cunha, professor da Universidade Católica do Salvador, apresentou a conferência “Financeirização e efeitos sobre a estrutura agrária brasileira”, durante colóquio do Instituto Humanitas Unisinos.

Segundo ele, nos últimos 50 anos, a ampliação latifundiária no Brasil ocorreu em dois momentos principais. Durante a ditadura militar de 64 e, vejam só, sob os governos petistas.

De 1967 a 1977, os generais ampliaram a área ocupada por grandes propriedades no Brasil em cerca de 70 milhões de hectares. Durante os governos Lula, ocorreu uma concentração fundiária de mais 104 milhões de hectares, afirma o professor.

Citando dados do Ipea, Cunha afirma que somente as exportações do complexo de soja se apropriaram de 129 bilhões de m3 de água, em 2013. Um volume equivalente ao consumo anual das populações chinesa e latino-americanas juntas.

Já a agricultura familiar, responde por 70% da produção de alimentos e emprega 74% da força de trabalho rural do País. Mas recebe apenas 14% do crédito agrícola nacional e ocupa 24% das terras agricultáveis. 

Houve avanços, admite o palestrante, mas foram setorizados e particularizados, aumentando a diferenciação entre os camponeses.

A agricultura familiar chega a ultrapassar a produção do agronegócio na produção de café, arroz e milho. Mas em outros setores, 80% dos camponeses mal conseguem gerar renda para manter sua família. E em certas regiões, 20% deles não geram renda alguma.

Estes são os verdadeiros crimes pelos quais Lula e seus liderados devem responder diante dos tribunais da História. E há muito mais...

Leia também: Sobre provas, convicções e hóspedes indesejáveis

domingo, 18 de setembro de 2016

Na pré-história, faça amor, não faça guerra

“First Peoples” é uma das mais recentes séries do PBS, canal educativo estadunidense. O documentário revela fatos muito interessantes sobre a trajetória que nossa espécie iniciou uns 200 mil anos atrás.

Há algum tempo, por exemplo, sabemos que não descendemos dos neandertais ou de outras linhagens humanas extintas, como o “Homo erectus”, o “Homo heidelbergensis” ou os Denisovanos. Elas correspondem a ramos evolutivos paralelos ao nosso.

Mas a série desmente uma crença que interessa aos que tentam tornar a competição selvagem característica inerente à natureza humana. A de que acabamos dominando o planeta porque usamos nossas capacidades superiores para eliminar rivais pré-históricos.

Claro que deve ter havido alguma hostilidade entre povos tão diferentes. Mas evidências mostram que os contatos amigáveis prevaleceram e levaram ao que os cientistas chamam de “hibridação”. Ou seja, ao bom e velho “faça amor, não faça guerra”. 

Um caso interessante é o da queratina. Herdada dos Neandertais, ela tornou nossa pele mais resistente a climas frios. Já os Denisovanos, deram aos tibetanos a capacidade de viver sem dificuldades a 4 mil metros de altura, graças à menor quantidade de hemoglobina em seu sangue.

Falando em sangue, há vários tipos de glóbulos brancos espalhados pelas populações humanas no planeta. Isso é bom porque aumenta nossa imunidade. E parte desta diversidade pode ser consequência dos carinhos que trocamos com nossos primos extintos.

Essas descobertas mostram como diversidade, tolerância e solidariedade foram importantes na formação da humanidade. Desautorizam teses conservadoras, que preferem acreditar em competição feroz e pureza racial.

Apesar disso, os defensores dessas ideias continuam por aí, rosnando e arrastando suas clavas .

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