Quando comparamos algo velho e algo novo – como um livro e um tablet, ou uma freira sentada ao pé de uma adolescente que está a falar num chat no metrô –, acreditamos que o novo tem mais futuro. Na verdade, acontece o contrário. Quantos mais anos leva um objeto ou um hábito entre nós, mais futuro tem. O mais novo, em média, perece antes. É mais provável que no século 22 existam freiras e livros do que WhatsApp e tablets. No futuro haverá cadeiras e mesas, mas telas de plasma ou celulares talvez não. Continuaremos a celebrar com festas o solstício de inverno quando já tivermos deixado de torrar com os raios ultravioletas. (...) Muitas tendências que nos parecem inquestionáveis – desde o consumismo desenfreado até às redes sociais – abrandarão. E velhas tradições que nos acompanham há muitos anos – desde a música até à procura da espiritualidade
– nunca partirão
(...)
Não subsistem tantos artefatos milenares entre nós. São sobreviventes difíceis de desalojar (a roda, a cadeira, a colher, a tesoura, o copo, o martelo, o livro…). Há algo no seu design básico e na sua depurada simplicidade que já não admite melhorias radicais.
(...)
Por isso, perante a catarata de previsões apocalípticas sobre o futuro do livro, eu digo: um pouco de respeito.
Só uma observação. Um pouco, não. Muito. Porque respeito aos livros nunca é demais.
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