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21 de março de 2024

Ada Lovelace, criadora do algoritmo cibernético

Ela é considerada a criadora do primeiro algoritmo cibernético da história. Filha do poeta Lorde Byron e da frequentemente esquecida matemática Anne Isabella Milbanke, Ada Lovelace foi assistente do pioneiro da computação Charles Babbage. Ambos trabalhavam na engenharia de produção da indústria de tecelagem da Londres do século 19.

Ada elaborou um conjunto de instruções a serem executadas por teares mecânicos que teve papel fundamental para a ciência da computação. Ela, porém, dava a essas instruções o nome de “diagrama” no lugar de “algoritmo”.

As operações que Ada criou incluíam a manipulação abstrata de qualquer entidade, não apenas de números. Desse modo, atribuiu um significado mais amplo para a definição de automação. Esta concepção de uma máquina que manipula símbolos de acordo com regras levou a uma transição fundamental das operações de cálculo para a computação de uso geral.

Infelizmente, tanto as contribuições de Babbage como as de Ada pertencem a uma época em que as hierarquias sociais e as apropriação dos saberes dos trabalhadores foram mistificadas e ocultadas pelo culto à genialidade de cientistas a serviço da burguesia. Como disse o historiador da computação Simon Schaffer, “Lovelace nunca viu maiores problemas na substituição da inteligência dos tecelões por uma série de cartões de programa, nem no desemprego a que foram condenados muitos trabalhadores qualificados de Londres.”

As informações são do livro “The Eye of the Master: A Social History of Artificial Intelligence” ou “O Olho do Mestre: Uma História Social da Inteligência Artificial”. Ainda sem tradução para o português, a obra é do filósofo italiano Matteo Pasquinelli e será tema de novas pílulas em breve.

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14 de novembro de 2023

O movimento negro na resistência à automação produtiva

Em um discurso feito em 1961 à maior central sindical estadunidense, Martin Luther King declarou: “O trabalho enfrenta hoje uma grave crise. Nos próximos dez a vinte anos, a automação transformará empregos em pó, à medida que reduz volumes inacreditáveis de produção”. King considerava que a automação era uma arma a ser usada contra o trabalho organizado: Inovações feitas “sob encomenda para aqueles que procuram levar o trabalho à impotência, atacando violentamente todos os seus pontos frágeis”.

Malcolm X, pelo contrário, argumentava que a ameaça da automatação justificava uma estratégia separatista. “Na melhor das hipóteses, os negros podem esperar das propostas de integração um ingresso nos níveis mais baixos de uma classe trabalhadora já privada de seus direitos pela automação”.

Enquanto isso, no Partido dos Panteras Negras, Eldridge Cleaver considerava que grande parte dos trabalhadores negros havia sido empurrada para a condição de lumpemproletariado “pelas máquinas, pela automação e pela cibernética”, representando “uma verdadeira contradição no interior do proletariado”.

Em 1972, os Panteras Negras atualizaram o último ponto de seu Programa de Dez Pontos, acrescentando o “controle comunitário das modernas tecnologias” às exigências de “terra, pão, habitação, educação, vestuário, justiça e paz”.

As informações acima estão no livro “Breaking Things at Work: The Luddites Are Right About: Why You Hate Your Job”, de Gavin Mueller. Em português, o título seria “Quebrando as coisas no trabalho: os luditas estão certos sobre por que você odeia seu trabalho”. Trata-se de um exaustivo estudo sobre a resistência dos trabalhadores às inovações tecnológicas que lhes são prejudiciais, incluindo sabotagem e destruição de maquinários.

Voltaremos a ele, em breve.

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