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10 de junho de 2022

Black Power: a revolução negra e a revolução socialista

Charles V. Hamilton e Kwame Ture defendem no livro “Black Power” que as relações entre negros e brancos nos Estados Unidos são uma forma de colonialismo.

Em 1967, ano de lançamento da obra, já existiam muitos presidentes africanos, mas os autores lembram que os países por eles governados eram, na verdade, controlados por França, Bélgica ou Inglaterra, suas antigas metrópoles coloniais.

A Los Angeles da época tinha um prefeito afrodescendente, mas ele era tenente da polícia e o terrorismo policial racista aumentou. Se isso não é o mais puro neocolonialismo, perguntam eles, o que é?

Não pode haver ordem social sem justiça social. Por isso, dizem eles, os brancos devem ser levados a entender que precisam parar de mexer com os negros, ou os negros vão revidar! Isso é o Poder Negro, afirmam.

Segundo eles, lideranças políticas negras que defendem uma atuação pacífica conseguem, no máximo, recompensas simbólicas que a parte rica da sociedade está disposta a conceder. Por isso, uma luta “não-violenta” é “um luxo que os negros não podem ter”.

Lembram que, certa vez, Malcolm X disse: “A revolução é sangrenta. Não conhece nenhum compromisso. Derruba e destrói tudo em seu caminho.”

Mas para os negros dos Estados Unidos, afirmam, mesmo a luta por reformas tem sido sangrenta. Portanto, derramamento de sangue não é um obstáculo para a revolução. “Nosso obstáculo é a falta de organização política de massa”.

Hamilton e Ture dizem que não defendem reformas para evitar a revolução. Em vez disso, pretendem que elas ajudem a avançar rumo à “revolução africana e, consequentemente, rumo à revolução socialista mundial”.

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9 de junho de 2022

Poder negro contra o colonialismo

Em seu livro “Black Power”, Charles V. Hamilton e Kwame Ture tratam o racismo institucional reinante nos Estados Unidos como um tipo de “colonialismo”.

Segundo eles, os chefes políticos brancos governam a comunidade negra da mesma forma que a Grã-Bretanha governava as colônias africanas: por governo indireto. A estrutura de poder branca domina a comunidade negra através de negros que aceitam esse papel de meros fantoches.

A atuação de associações de italianos e irlandeses, por exemplo, é respeitada como parte do jogo democrático. A união de negros em defesa de seus direitos é vista como uma ameaça à nação. Suas organizações estão sempre a um passo de serem considerados terroristas.

A estrutura de poder colonial colocou sua bota no pescoço dos negros e quando eles tentam se livrar dessa situação são acusados de “não estarem prontos para a liberdade”. A emancipação legal dos escravos jamais mudou a mente dos racistas. Eles acreditam em seu pretenso status superior, não em documentos de papel.

Dizem que vivemos todos em uma só nação, lembram os autores. Mas se essa nação falha em proteger seus cidadãos, ninguém pode condenar aqueles que recorrem à autodefesa para se preservar. Afinal, perguntam, quem não defenderia sua família e seu lar de um ataque?

É por isso que defendemos a necessidade de um Poder Negro, afirmam. Não há como fazer valer a liberdade e a dignidade da população negra se não a partir de uma posição de força. Enfrentando os opressores como aquilo que são: inimigos.

O livro foi lançado em 1967, em plena batalha por direitos para os negros estadunidenses. A guerra continua.

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8 de junho de 2022

O racismo como dominação colonial

Escrito em 1967, no auge da luta antirracista nos Estados Unidos, “Black Power” é um livro fundamental para a luta dos negros em todo o mundo. Seus autores são Charles V. Hamilton e Stokely Carmichael (ou Kwame Ture). Ambos estavam na linha de frente no combate aos “supremacistas brancos” quando escreveram a obra. Ture, por exemplo, integrou os Panteras Negras.

É neste livro que o conceito de “racismo institucional” aparece pela primeira vez. Segundo os autores, o racismo individual consiste em atos ostensivos de racistas isolados que causam morte, lesão ou destruição violenta de propriedade. Pode até ser gravado por câmeras de televisão, por exemplo.

Há, porém, um racismo menos evidente, mas talvez ainda mais nocivo. Indivíduos “respeitáveis” nunca plantariam uma bomba em uma igreja.  Nunca apedrejariam uma família negra. Mas apoiam autoridades e instituições políticas que mantêm e perpetuam políticas institucionalmente racistas.

Ao contrário do que se costuma dizer, afirmam eles, não há uma questão racial dividindo a nação estadunidense. O fato é que os negros formam uma colônia dentro do país, e não é do interesse do poder colonial libertá-los. Ou seja, o racismo institucional tem outro nome. Chama-se “colonialismo”.

Sem dúvida, esse é outro conceito fundamental apresentado por Carmichael e Ture. Mas ele já era antecipado num artigo de Lênin, de 1917, no qual afirmava-se que negros, mestiços e índios deveriam ser considerados uma nação oprimida dentro dos Estados Unidos.  

E como ensinaram Washington, Jefferson e outras heróis estadunidenses que jamais foram comunistas ou bolcheviques, nações oprimidas só se libertam entrando em confronto aberto com seus opressores.

Continua na próxima pílula.

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