Doses maiores

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3 de fevereiro de 2025

COP30 em plena fornalha

Segundo reportagem da agência Deutsche Welle, o índice de cobertura vegetal por habitante recomendado pela Organização Mundial da Saúde é cerca de 9 a 12 árvores por metro quadrado. Belém, em plena Amazônia, tem hoje uma média de 2,5 árvores por metro quadrado para cada morador.

Como todos sabem, é lá que vai acontecer a 30ª edição da Conferência do Clima das Nações Unidas, a COP30.

Belém é capital do estado que foi um triste recordista nacional em desmatamento em 2024, com 73.836 km². Uma área pouco menor que um país como a Escócia, por exemplo.

Santarém, outro grande município paraense, entrou em estado de emergência em setembro último devido às queimadas. Ocupou, naquele momento, o segundo lugar como cidade mais poluída do mundo, atrás apenas de Nova Délhi, na Índia.

Enquanto isso, indígenas ocupam a Secretaria Estadual de Educação, em Belém, desde o dia 23/01/2025. Protestam pela substituição das aulas presenciais em suas aldeias por transmissões online. Sendo que até o fornecimento de energia elétrica é precário em seus territórios. O detalhe é que a empresa contratada para transmitir as aulas é a Starlink, de Elon Musk, hoje alto funcionário do campeão mundial do negacionismo climático, Donald Trump.

Nada disso deveria surpreender. A última COP, aconteceu no Azerbaijão, conhecido como o berço da indústria moderna dos combustíveis fósseis. Ou seja, a Conferência do Clima das Nações Unidas, depois de montar seu circo em um dos grandes fornecedores de petróleo e gás do mundo, vai se instalar em uma das maiores fornalhas do planeta.

Negacionistas e poderosos do capitalismo fóssil agradecem.

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15 de setembro de 2023

Um Tribunal de Nuremberg para os crimes da pandemia

Renato Tasca, Rebeca Freitas, Júlia Pereira e Evelyn Santos publicaram um artigo na Folha, em 12/09/2023, com importantes informações e fatos a serem lembrados sobre o Covid-19.

Em primeiro lugar, a pandemia acabou, mas o coronavírus ainda circula no Brasil, infectando muitos e, às vezes, matando. Entre janeiro e junho deste ano, cerca de 10 mil morreram em decorrência da Covid-19. Mais do que doenças como diabetes e muitos tipos de câncer.

Em segundo lugar, em 2022, no Brasil, foi notificado quase o mesmo número de casos de Covid-19 do que em 2021. No entanto, os óbitos caíram seis vezes de um ano para o outro graças à vacinação, que finalmente chegou, apesar do criminoso boicote bolsonarista.

Falando em bolsonarismo, não podemos esquecer as 700 mil mortes, entre as quais destacam-se as de 4,5 mil profissionais de saúde, principalmente, auxiliares ou técnicos de enfermagem e enfermeiros.

O texto cita ainda um estudo que calcula que mais de quatro em cada 10 pessoas tiveram problemas de ansiedade por conta da pandemia, para não mencionar o aumento da violência doméstica e da taxa de suicídio. Também merece destaque a elevada mortalidade da população negra e entre os mais pobres, em relação à média da população.

Tudo isso deveria estar sendo julgado em uma espécie de “Tribunal de Nuremberg” relacionado aos crimes cometidos durante a pandemia do coronavírus no Brasil.

Um julgamento paralelo ao que começou ontem sobre o 8 de Janeiro. Ainda que com a dificuldade operacional, mas não intransponível, de exigir a presença de muitos de seus réus tanto em um como no outro tribunal.

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26 de maio de 2023

Ciência e fake news: eugenia e negacionismo

A pílula sobre a relação entre a ciência e as fake news abordou algumas contradições e equívocos de uma referência importante como o Prêmio Nobel. Mas não é só isso.

É importante destacar a legitimação científica da eugenia. Por décadas, cientistas respeitáveis defenderam que a perfeição de nossa espécie seria garantida pela eliminação física ou seletiva de seres humanos sem certas qualidades e atributos que, não por acaso, combinavam perfeitamente com as que possuíam cientistas europeus e anglo-saxões.

Médicos fizeram propaganda dos benefícios do cigarro até os anos 60. Cientistas financiados pela indústria petroleira negaram o aquecimento global. Mulheres e não brancos só recentemente foram incluídos nos grupos a serem contemplados por análises clínicas.

Outro elemento importante é a própria especificidade da atividade científica, com suas certezas provisórias e sob constante debate e escrutínio. Algo perfeitamente legítimo, não fosse o isolamento das universidades, abertas apenas aos filhos da classe dominante e com raros egressos das camadas populares. O mesmo vale para as ciências humanas, mais acessíveis aos de baixo, mas ainda muito seletivas e sujeitas a fortes pressões de mecanismos de cooptação social.

É importante lembrar também as centenas de acadêmicos que escrevem diariamente nos grandes jornais para defender a economia neoliberal como ciência exata, inimiga de quaisquer ponderações sobre os terríveis efeitos sociais das políticas nela inspiradas.

Finalmente, junte-se a tudo isso a redução das políticas educacionais a técnicas de adestramento da população pobre para desempenho de tarefas braçais, alienadoras e mal pagas.

Eis aí, alguns dos principais ingredientes para a ampla aceitação de negacionismos e notícias falsas a serviço de projetos conservadores e fascistas.

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