"Round 6" ou "Squid Game" é o nome da mais nova sensação entre as séries televisivas exibida pela Netflix.
A atração sul-coreana é sobre um grupo de pessoas que disputam um jogo para tentar ganhar um grande prêmio em dinheiro.
A punição pelo mal desempenho em cada fase é a eliminação. Literalmente. Os perdedores são executados a tiros.
É diversão de primeira. Mas também pretende ser uma crítica às contradições da sociedade contemporânea.
A começar pelo fato de que os participantes aceitam permanecer nesse jogo mortal devido a problemas com dívidas impagáveis.
Seria uma referência ao capitalismo como escravidão pelo endividamento. Não apenas de pessoas, mas de países inteiros, reféns das exigências sádicas feitas por instituições como o FMI. No jogo, como na vida real, mortes são apenas danos colaterais.
A facilidade com que uma selvagem competição se instala seria outro sintoma do atual estágio de patologia social, acentuado pela lógica neoliberal.
Um dos jogadores perdeu o emprego durante uma greve ferozmente reprimida nos anos 90. Desde então, viu-se condenado a buscar uma vida melhor de forma individualista e apostando em jogos de azar.
Outros participantes, vítimas da pressão pelo sucesso a qualquer custo, transformaram alguns erros em fracassos paralisantes.
A própria transformação de jogos infantis em episódios sangrentos mostram a derrota da dimensão lúdica mais essencial para a crueldade imposta pela concorrência capitalista.
Alguns jogadores até tentam criar formas de resistência coletiva e solidária, mas a regra é cada um por si ou a formação de grupos nos moldes das gangues criminosas.
Enfim, vale assistir. Só fica estranho se você se divertir.
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