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20 de dezembro de 2024

Feliz Natal de luta e internacionalista

Em 2018, o escritor de ficção científica China Miéville publicou “Um conto de Natal”. A ação acontece em um futuro não muito distante, no qual o direito de festejar o Natal foi privatizado. Após a aprovação de um Ato de Natal pelo parlamento, qualquer pessoa que queira comemorar a data precisa pagar caro, sob pena de prisão.

Mas a resistência popular não respeita festas privadas. Manifestações pelo direito de comemorar o Natal explodem na Londres fictícia que serve de cenário para o conto. Entra em cena, por exemplo, “um bando agressivo, com pinta de zangado, quebrando para-brisas dos carros pelo caminho”. Vestidos de Papai Noel, eles são os Red & White blocs, versão natalina dos Black Blocs. Também marca presença o Partido Cantor Radical dos Homens Gays, “orgulhosos de lutar pelo Natal do Povo!”

E como na luta dos explorados e oprimidos a esperança é a penúltima que morre, uma das canções que os manifestantes entoam é uma adaptação de um antigo sucesso brasileiro, composto por Assis Valente: "Já faz tempo que eu pedi / Mas o meu Papai Noel não vem/ Com certeza já morreu/ E a Internacional / É tudo que a gente tem."

Saudações comunistas e internacionalistas. Até 2025!

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15 de dezembro de 2022

Muitas tréguas pra comemorar o Natal

Soldados combatendo em lados opostos, em plena guerra, resolvem fazer uma trégua para comemorar o Natal juntos. A situação aparece no filme “Feliz Natal”, de 2006, dirigido por Christian Carion. Em seu livro “Labirintos do Fascismo”, João Bernardo confirma esse e outros relatos parecidos.

No Natal de 1914, apenas cinco meses após o início da Primeira Guerra, tropas britânicas e alemãs estabeleceram uma trégua por conta própria para celebrar a data. Trocaram presentes, cantaram, jogaram futebol e caçaram “lebres onde antes se haviam caçado uns aos outros”.

Em 1915, o alto comando britânico estava decidido a não permitir a repetição do que se passara no ano anterior. Deu ordem para que na data natalina houvesse tiros de artilharia incessantes contra as trincheiras alemãs. Apesar disso, não conseguiu impedir as confraternizações.

No mesmo ano, na região de Reims, soldados franceses e alemães abandonaram em massa as trincheiras para festejar o Natal. Para obrigar as tropas a voltar para seus postos, os comandantes de ambos os lados ameaçaram mandar a artilharia disparar sobre os soldados misturados.

No início do inverno de 1916, perto do período natalino, ocorreram numerosos casos isolados de congraçamento, em setores da frente de batalha na Europa Ocidental. Mas situações semelhantes não eram desconhecidas no lado oriental da Europa. Em abril do mesmo ano, por exemplo, soldados de quatro regimentos russos estabeleceram uma trégua com tropas do Império Austro-Húngaro para festejar a Páscoa juntos.

Portanto, inimigos demonstrarem amor fraterno em plena guerra é até possível. Difícil é o mesmo acontecer em um país sob ataque dos fascistas como o Brasil.  

De qualquer maneira, boas festas!

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23 de dezembro de 2021

Papai Noel, porco capitalista

As festas de Natal no Brasil costumam ser tristes. Ou, pelo menos, melancólicas. Se alguém duvida, é só lembrar do cancioneiro popular. Não aquele importado do norte gelado, mas o nascido nos sertões, cidades e litorais marcados pela desigualdade social que frustra os sonhos natalinos de muita gente. Principalmente das crianças.
 
Pra começar, citemos alguns versos do baiano Assis Valente:

Já faz tempo que eu pedi
Mas o meu Papai Noel não vem
Com certeza já morreu
Ou então felicidade
É brinquedo que não tem


Outros do paulista Adoniran:

Eu me lembro muito bem
Foi numa véspera de Natal
Cheguei em casa
Encontrei minha nega zangada, a criançada chorando
Mesa vazia, não tinha nada

Mas, talvez, devêssemos passar da melancolia à raiva. Como nessas estrofes cometidas pelos Garotos Podres em "homenagem" ao velhinho do Polo Norte:

Papai Noel velho batuta
Rejeita os miseráveis
Eu quero matá-lo
Aquele porco capitalista

Presenteia os ricos
Cospe nos pobres
Presenteia os ricos
Cospe nos pobres

Papai Noel velho batuta
Rejeita os miseráveis
Eu quero matá-lo
Aquele porco capitalista

Presenteia os ricos
Cospe nos pobres
Presenteia os ricos
Cospe nos pobres
Pobres
Pobres

Mas nós vamos sequestrá-lo
E vamos mata-lo
Por que?

Aqui não existe natal
Aqui não existe natal
Aqui não existe natal
Aqui não existe natal
Por que?

Papai Noel velho batuta
Rejeita os miseráveis
Eu quero matá-lo
Aquele porco capitalista

Presenteia os ricos
Cospe nos pobres
Presenteia os ricos
Cospe nos pobres

Apesar disso tudo, que as festas sejam as menos cruéis possíveis. E que no ano que vem por aí, nos livremos de muitos outros velhos batutas!

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Papai Noel não é de esquerda, mas existe!

20 de dezembro de 2010

Papai Noel não é de esquerda, mas existe!

Antes de sair voando por aí em seu trenó, Papai Noel era apenas São Nicolau. Filho de pais ricos, acabou com sua herança distribuindo dinheiro aos pobres e presenteando crianças de famílias sem posses. Com o tempo transformou-se no Papai Noel.

Em 1931, a Coca-Cola tornou Papai Noel uma figura totalmente humana. Até a cor vermelha foi escolhida para combinar com os logotipos da empresa. Mas não adianta só questionar a origem mercantil da gorda figura vermelha. O problema é saber o que leva pessoas de todas as idades a precisar de um mundo do faz de conta.

Todos os povos, em todos os lugares sempre precisaram dessa dimensão fantasiosa. Principalmente, em sua função pedagógica junto às crianças. São formas de introduzir os pequenos aos problemas da vida usando imagens claras e situações atraentes.

A indústria transforma essa necessidade em pacotes quantificáveis. A deliciosa experiência de ouvir ou de contar contos de fada passa a ser acompanhada pela necessidade de comprar os brinquedos, jogos e filmes a ele correspondentes. Ao “era uma vez...”, as crianças respondem cada vez mais com “compra pra mim”.

A esquerda tem que se dedicar a esse aspecto da luta ideológica. Ouvir pedagogos, psicólogos, especialistas. Ouvir principalmente o próprio povo. Recuperar a história oral, prestar atenção à literatura de cordel e outras manifestações da narrativa popular. Criar um ambiente cultural menos marcado pela escravidão material a que o capitalismo nos condena.

Mas até para fazermos isso sem perigo de produzir ou reproduzir esquemas de dominação, é preciso dar asas à imaginação.

Doses suspensas até começo de janeiro. Saudações festivas e aladas!