Em maio de 2021, Elon Musk declarou ser portador da síndrome de Asperger, que faz parte do chamado Transtorno do Espectro do Autismo. Em janeiro de 2025, ele fez um gesto nazista em um evento organizado por Donald Trump. Seus defensores logo apareceram com várias desculpas esfarrapadas para tentar esconder o significado do ato. Entre elas, sua condição de autista.
O transtorno psicológico que Musk alega ter foi identificado cientificamente pela primeira vez por Hans Asperger, em 1944. Pediatra, Asperger foi um dos pioneiros no estudo sobre neurodiversidade durante o período da chamada Viena Vermelha, entre 1918 e 1934. Nessa época, o Partido Socialdemocrata governou a capital austríaca e implementou diversas políticas públicas progressistas em áreas como saúde, educação, habitação e transporte.
Após a Segunda Guerra Mundial, Asperger alegou ter se oposto aos nazistas, atuando na proteção de crianças consideradas anormais contra medidas de higiene racial. Ocorre que em 2018, foram descobertas fortes evidências de sua colaboração na execução de políticas de eugenia e eliminação de crianças com deficiência, entre outras barbaridades.
Nada disso invalida os avanços obtidos a partir das descobertas feitas pelo cientista vienense. Além disso, o trabalho dele fez parte de um esforço coletivo dos trabalhadores austríacos por melhores condições de vida e combate ao supremacismo ariano. Asperger não foi o primeiro nem o último a ter prestado bons serviços à sociedade antes de se render ao fascismo.
Ao tentar esconder o nazismo de Musk por trás de uma condição neurológica que afeta dezenas de milhões de pessoas, seus seguidores mostram-se tão indignos e desprezíveis como ele. Ou como Asperger.
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