Segundo ele, o livro “torna-se
intolerável quando nos deparamos com os raciocínios derivados das teorias
racistas, então consideradas científicas”. Mas conforme avança a leitura, vão
sendo desmentidas as teses inicialmente sustentadas pelo autor. Para Coli:
O
livro execra o fanatismo dos revoltosos. No entanto, ao descrevê-lo, a admiração
que sente por eles —corajosos, leais, inteligentes— anula a reprovação. Concebe
o Exército como arma da civilização. Todavia, ao narrar suas manobras
ineficazes e dolorosamente ridículas, ao detalhar a crueldade desumana de suas
práticas, cujo apogeu foi a degola dos prisioneiros —a tremenda “gravata
vermelha”—, expõe a campanha como uma estupidez e um crime: “Aquilo não era uma
campanha, era uma charqueada”.
Já a crítica literária Walnice
Nogueira Galvão, afirmou em sua participação em Paraty:
“Os
Sertões” tem que ser lido todos os dias, enquanto persistir a situação dos
pobres brasileiros. Enquanto ocorrer o genocídio dos jovens negros nas favelas
de São Paulo, a militarização das comunidades do Rio de Janeiro, enquanto
acontecerem tragédias como as de Mariana e Brumadinho.
É famosa a frase "o sertanejo é,
antes de tudo, um forte”, presente na obra. Nesse trecho, Euclides descreve o
nordestino baseado em pressupostos racistas. E encerra dizendo que se trata de
um “homem permanentemente fatigado."
Deve ser porque a “ingnorânça” das eternas
elites sobre, e contra, o povo nordestino cansa mesmo.
Leia também:





