Ninguém pode acusar as maiores empresas ocidentais de terem simpatias pelo comunismo. No entanto, elas não tiveram dificuldades em adotar métodos de programação linear concebidos por especialistas soviéticos para a economia russa. É o caso de Wassily Leontief, cuja metodologia para controle e gestão de fluxos de insumos e produtos foi adotada pela Westinghouse, quando ele se mudou para os Estados Unidos.
Exemplos como esse mostram como o planejamento econômico pode ser útil tanto para empresas capitalistas quanto para economias socialistas. Internamente, as empresas são economias não tão diferentes da União Soviética: economias planejadas hierárquicas e antidemocráticas, com certeza, mas economias planejadas do mesmo jeito. A diferença está em suas metas e como elas são determinadas. Na empresa capitalista, a técnica é colocada a serviço da maximização do lucro para benefício de seus proprietários.
Na sociedade socialista, a meta pode até continuar sendo um aumento na riqueza, mas da sociedade como um todo. A metodologia utilizada também pode ser semelhante àquela voltada para a maximização do lucro, mas é determinada socialmente. A expansão constante do tempo de lazer pode ser um dos objetivos, assim como a maximização dos serviços ecossistêmicos e a minimização drástica dos impactos ambientais.
Dessa forma, vemos como, embora a substituição da alocação de mercado pelo planejamento econômico possa ser uma condição necessária para a realização do socialismo, ela não é suficiente: deve estar associada à democracia.
Com esses breves comentários encerramos as pílulas sobre o livro “The People's Republic of Walmart”, Leigh Phillips e Michael Rozworski. Uma obra de 2019 que merece ganhar uma edição em português.
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