Doses maiores

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8 de janeiro de 2024

O fracasso e o vexame do 8 de Janeiro

Nenhum membro da cúpula das Forças Armadas foi investigado ou responsabilizado pela tentativa de golpe de 8 de janeiro, ocorrida um ano atrás. Oito generais do Exército e um almirante da Marinha foram citados na CPI dos Atos Golpistas. Nada aconteceu.

O discurso dominante no Governo, Judiciário, Legislativo, parte da imprensa é que as Forças Armadas, enquanto instituição, não podem ser responsabilizadas. Uma afirmação óbvia. Instituições não podem ser responsabilizadas. Seus integrantes, sim. Seus manda-chuvas, também. Seus comandantes, com certeza. Mesmo que sejam fardados.

Dois dos maiores responsáveis pela omissão na repressão aos golpistas servem de exemplo. O tenente-coronel Fernandes da Hora era comandante da Guarda Presidencial. Foi nomeado Instrutor do Curso de Altos Estudos Estratégicos, na Espanha. O General Gustavo Henrique Dutra era comandante militar do Planalto. Foi nomeado vice-chefe do Estado-Maior. Se o golpe tivesse prosperado, não estariam mais satisfeitos.

Um ano de impunidade, gritam vozes de vários lados. É muito mais que isso. São quase 40 anos desde que a ditadura abandonou a cena. Junto com Figueiredo, saíram impunes pela porta dos fundos do Palácio da Alvorada centenas de responsáveis por assassinato, tortura e corrupção. Alguns nem sair, saíram. Foram ficando.

O 8 de Janeiro só foi possível porque houve o 15 de Março de 1985, quando José Sarney, homem de confiança dos militares, assumiu o primeiro governo civil em 20 anos. Instalava-se a impunidade que atravessou vários governos e volta a ser renovada.

A tentativa de golpe foi um fracasso. A responsabilização e punição de seus mentores, uma vergonha que pode tornar ainda mais vexaminosa a democracia nacional.

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11 de janeiro de 2023

Por um Tribunal Popular da Pandemia

Eu não entendo que seja possíel retirar o país da crise social e institucional sem a reparação e a responsabilização pela crise da covid-19. Seria praticamente a mesma coisa que foi feita quando anistiamos e permitimos que agentes da ditadura continuassem sem a devida responsabilização. 

As palavras acima são de Paola Falceta, diretora da Associação de Vítimas e Familiares de Vítimas de Covid-19. Foram publicadas no portal Outras Palavras, em 13/12/2022.

Mais recentemente, o grupo Manifesto Coletivo lançou o abaixo-assinado “Anistia Nunca Mais”, no qual afirma:

O Brasil criou seus impasses por meio do esquecimento. Como se não falar, não julgar, não elaborar, pudesse nos garantir alguma forma de paz. Foi assim em vários momentos de sua história, criando uma verdadeira compulsão de repetição. As violências coloniais nunca foram objeto de elaboração devida. Da mesma forma, as violências da ditadura militar foram caladas através de uma anistia que, longe de ter sido resultado de algum “acordo nacional”, foi fruto de uma imposição dos próprios militares e da conveniência de seus aliados civis. Este é um país de silêncio.

O grupo defende uma mobilização popular urgente pela responsabilização do governo Bolsonaro pelos crimes cometidos durante a pandemia.

“Brasil Nunca Mais” era o nome do dossiê que revelou os crimes da ditadura empresarial-militar de 1964. Esse ato de coragem de um punhado de militantes contribuiu para a grande mobilização popular pelo fim da ditadura. Mas foi insuficiente para reverter a vergonhosa anistia que livrou o pescoço de seus carrascos. Não podemos permitir que isso se repita. É importante engrossar o abaixo-assinado. Mais importante, engrossar as mobilizações. “Sem Anistia!”

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