...um espaço permanente de enlace e intercâmbio, onde convergem experiências e propostas para que juntos enfrentemos as políticas de globalização neoliberal e possamos lutar pela libertação definitiva de nossos povos irmãos, da Mãe Terra, do território, da água e de todo o patrimônio natural para viver bem.
Blog de Sérgio Domingues, com comentários curtos sobre assuntos diversos, procurando sempre ajudar no combate à exploração e opressão.
20 de outubro de 2021
Abya Yala, socialismo comunitário global
19 de outubro de 2021
Os heróis oficiais estadunidenses eram carrascos terríveis
Conforme comprovado por nossa experiência, é comparável a retirar feras da floresta: retornarão tão logo a perseguição termine e, talvez, ataquem os que já ficaram. Já, a ampliação gradual de nossos assentamentos, certamente fará os selvagens se retirarem à semelhança dos lobos, já que ambos são animais de caça, embora de formatos diferentes.
18 de outubro de 2021
Destino Manifesto: a doutrina genocida estadunidense
Para os imigrantes protestantes e de outras denominações religiosas, estava fora de questão pensar que os habitantes da região pudessem ser seres humanos como os brancos, com direito à terra, moradia, alimentação, vida social e espiritualidade próprias.
– compra ou anexação diplomática de territórios;– guerras contra outros países para anexar-lhes seus territórios;– guerras contra os povos indígenas para apropriar-se de seus territórios.
15 de outubro de 2021
Estados Unidos, escola de genocídio
14 de outubro de 2021
O fanatismo religioso mata a alma indígena
...um bando de desavergonhados, especialmente as mulheres. A visão de sua nudez provoca o despertar dos desejos da carne entre os homens. A primeira parte do nosso trabalho consiste, naturalmente, em levá-las a usar roupas apropriadas. Esperamos que, dentro de um ou dois anos, nenhuma mulher exponha mais seus seios pela tribo... Devemos concentrar nosso trabalho sobre as mulheres, pois elas são a causa de todo o pecado.
13 de outubro de 2021
Hatuey preferiu o inferno ao céu dos espanhóis
Em um de seus famosos discursos, ele explicou a dominação colonial do seguinte modo:
Eu vou lhes dizer porque fazem tudo isto. É porque têm um grande senhor a quem querem e amam. E este é o que lhes vou mostrar (indicando o ouro que estava na cesta): este é o senhor que os espanhóis adoram. É por ele que lutam e matam; por ele que nos perseguem; por causa dele morrem nossos pais e irmãos e por sua causa nos privam de nossos bens e nos buscam e nos maltratam. Como vocês já ouviram antes, eles querem vir para cá e não pretendem outra coisa senão buscar este senhor; para buscá-lo e arrancá-lo vão nos perseguir e cansar como já fizeram em nossa terra.
Hatuey foi capturado em fevereiro de 1512. Condenado a morrer numa fogueira, um padre ofereceu-lhe a conversão à fé cristã para poder ir para o céu. Hatuey perguntou: “Os espanhóis também vão ao céu?" Diante da resposta afirmativa, respondeu: "Então, não quero ir para um lugar onde possa encontrar gente tão horrível e tão cruel”.
Essa é outra das histórias de luta heroica e grande sabedoria dos povos originários que Moema Viezzer e Marcelo Grondin contam no livro "Abya Yala!: Genocídio, resistência e sobrevivência dos povos originários".
Leia também: Enriquillo, líder da primeira guerrilha indígena
8 de outubro de 2021
Enriquillo, líder da primeira guerrilha indígena
Por influência do frei Bartolomé de las Casas, a partir dos 13 anos foi educado num convento de franciscanos, onde recebeu o nome de Enrique, transformado em Enriquillo. Foi alfabetizado em espanhol e, ainda jovem, confiado a Dom Francisco Pérez de Valenzuela, recebendo uma educação de nobre espanhol.
Com a morte de Valenzuela, os herdeiros começaram a tratá-lo como mera propriedade. Tentou defender seus direitos nos tribunais, mas acabou tendo que fugir juntamente com sua esposa e outros taínos para a serra de Bahoruco. Ali começou sua rebelião, acompanhado de 50 homens que ele mesmo armou, mais aproximadamente 300 taínos que lhe eram próximos; milhares de indígenas da ilha se somaram a ele.
Foi a primeira guerrilha organizada pela libertação dos indígenas no Novo Mundo. Sendo conhecedores da região, durante 13 anos, os taínos comandados por Enriquillo conseguiram incomodar a administração espanhola e derrotar todas as expedições que tentaram subjugá-los através do uso de armas ou de meios persuasivos mentirosos. Até que, finalmente, os taínos fizeram aliança com os escravos negros, também exaustos pela crueldade com a qual eram tratados.
Finalmente, um tratado concedeu aos indígenas o direito à propriedade e à liberdade. Infelizmente, Enriquillo morreria alguns anos depois, vítima de tuberculose, e a população taína já tinha diminuído drasticamente, devido aos maus-tratos, às doenças e matanças.
Leia também: Genocídio indígena no século 20
7 de outubro de 2021
Genocídio indígena no século 20
O período de 1930 a 1968 foi, sem sombra de dúvida, um dos mais trágicos do genocídio indígena no Brasil no decorrer do século 20, dizem Moema Viezzer e Marcelo Grondin em seu livro "Abya Yala!: Genocídio, resistência e sobrevivência dos povos originários".
Em 1967, relatam os autores, sob pressão internacional da imprensa e das embaixadas brasileiras, a ditadura criou uma Comissão de Investigação, sob a coordenação do procurador Jader de Figueiredo Correia. O documento final ficaria conhecido como Relatório Figueiredo.
Com sete mil páginas, o dossiê cobre o período de 1940 a 1968 e detalha assassinatos em massa, tortura, escravidão, guerra bacteriológica, abuso sexual, roubo de terras e negligência contra as populações indígenas, incluindo muitos grupos dizimados e outros completamente eliminados.
Nesse vergonhoso genocídio foram utilizados dinamites atiradas de aviões, contaminação proposital de varíola e doações de açúcar misturada a veneno. Também relatam-se inúmeros casos de cárcere privado, chicotadas, torturas, crucificações e escravização.
Um inquérito judicial acusou a participação de 134 funcionários em mais de mil crimes, mas apenas 38 foram demitidos e nenhum foi preso. Em março de 1968, funcionários que haviam participado da Comissão de Investigação foram exonerados e Jader Figueiredo foi transferido de Brasília para o Ceará.
Com a promulgação do AI-5 em 1968, o documento foi engavetado e ninguém mais teve coragem de mexer com os dados que ele disponibilizava.
Em 2013, o Relatório Figueiredo foi “descoberto” e encontra-se disponível ao público na internete em sua versão resumida. Sua leitura confirma que o genocídio indígena jamais foi coisa só da colônia ou império. Nem se resumiu a períodos ditatoriais.
Leia também: O genocídio guarani
6 de outubro de 2021
O genocídio guarani
Segue outro sangrento relato do livro "Abya Yala!: Genocídio, resistência e sobrevivência dos povos originários do atual continente americano", de Moema Viezzer e Marcelo Grondin.
Em 1560, o governador-geral Mem de Sá, em carta ao rei de Portugal, dizia que em uma só noite havia destruído uma aldeia próxima à Vila de São Vicente e como trunfo tinha “enfileirado os corpos ao longo de aproximadamente seis quilômetros de praia”. Em outra correspondência, afirmava ter “pacificado" os índios das redondezas da capitania da Bahia “queimando sessenta de suas aldeias”.
No final do século 16, em Porto Seguro, cada família portuguesa possuía em média seis escravos indígenas. Em São Paulo, em meados do século 18, havia cerca de quatro mil colonizadores e 60 mil escravos indígenas.
Por volta de 1562, os paulistas começaram a realizar expedições de apresamento dos índios para vendê-los como escravos aos donos das capitanias. Eram as “bandeiras”, responsáveis pela rapina mais impiedosa da primeira metade do século 17. Por meio delas foram escravizados e massacrados mais de um milhão de indígenas.
Enquanto isso, os jesuítas criaram as “reduções”. Entre elas, os famosos Sete Povos das Missões, que chegaram a reunir 40 mil índios. Estima-se que os bandeirantes escravizaram mais de 250 mil indígenas dessas missões e aldeias próximas.
Em resposta, os indígenas travaram a Guerra Guaranítica, na qual foi assassinado o líder Sepé Tiarajú, que não se cansava de afirmar: “Esta terra tem dono!”.
Seu assassinato marcou também o período de destruição final das reduções jesuíticas e a dizimação da grande nação guarani no sul do país.
Leia também: Escravidão indígena no Brasil: genocídio físico e cultural
5 de outubro de 2021
Escravidão indígena no Brasil: genocídio físico e cultural
4 de outubro de 2021
O genocídio indígena nas minas coloniais
Mais um relato do livro "Abya Yala!: Genocídio, resistência e sobrevivência dos povos originários", de Moema Viezzer e Marcelo Grondin.
No final do século 18, as minas de Potosí representavam o coração econômico do império espanhol, principal centro produtor de prata da América durante o período colonial.
Para sua exploração, adotou-se a prática da “mita”, adaptada do império inca pelos colonizadores espanhóis. Ela trouxe efeitos devastadores e contribuiu significativamente para a desestruturação de numerosas comunidades indígenas e para o declínio da população nos Andes.
Anualmente, cerca de 50% dos indígenas homens eram deslocados de suas respectivas comunidades e enviados a regiões de extração de minérios, sobretudo prata e mercúrio, ou para trabalhar na agricultura. Geralmente, trabalhavam por 4 a 6 meses, podendo chegar até 10 ou 12 meses.
Na chamada Mita de Potosí, por exemplo, das 30 províncias do vice-reinado e de mais de 10 grupos étnicos diferentes, todos os anos, mais da metade dos homens com idade entre 18 e 50 anos, aptos ao trabalho, eram recrutados compulsoriamente e deslocados para a mina. Trabalhavam até 15 horas por dia, cavando túneis e extraindo o metal com as mãos ou com a ajuda de picaretas.
Merece destaque a mina de Huancavelica, de onde se extraía o mercúrio necessário para a purificação da prata e cuja refinação produzia muito pó, o que inevitavelmente provocava pneumonia e envenenamento. Ali trabalhavam até 3,3 mil indígenas e era considerado afortunado aquele que conseguia sobreviver a dois meses de trabalho.
Mais de oito milhões de indígenas pereceram no trabalho de minas como a de Potosí, durante o período colonial.
1 de outubro de 2021
Para cada espanhol morto, cem cadáveres indígenas
Cada espanhol repartidor recebia um certo número deles incluindo uma “cédula do repartimiento” que rezava desta maneira: a Vós, fulano de tal, são encomendados tantos índios para que possais servir-vos deles em vossas plantações e minas e ensinar-lhes as coisas de nossa santa fé católica a todos quantos estejam no povoado. Assim, todos: pequenos e grandes, crianças, velhos, homens e mulheres grávidas ou paridas eram condenados à absoluta servidão que, ao fim e ao cabo, os levava à morte.
30 de setembro de 2021
O genocídio indígena, precursor do terror nazista
Quando vocês falam que foram mortos aproximadamente seis milhões de pessoas nos campos de concentração, dos quais se sabe, em grande parte, o nome e dia da morte, nós indígenas (do Brasil) lembramos os milhões de irmãos e parentes nossos que foram exterminados sem que se tenha, na maioria dos casos, qualquer informação sobre esses massacres. Foi um extermínio silencioso e que continua até hoje.












