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19 de março de 2024

Alexandra Kollontai contra as feministas burguesas

Alexandra Kollontai foi a primeira mulher a integrar o alto escalão de um governo. Nada menos que o governo bolchevique. Sua trajetória mostra a importância do papel feminino no processo revolucionário russo.

Em “As Bases Sociais da Questão Feminina”, documento publicado em 1909, ela diferencia claramente as feministas das operárias:

O mundo das mulheres está dividido, tal como o mundo dos homens, em dois campos: os interesses e aspirações de um grupo de mulheres aproximam-no da classe burguesa, enquanto o outro grupo tem ligações estreitas com o proletariado e as suas reivindicações de libertação abrangem uma solução completa para a questão da mulher. Por mais aparentemente radical que sejam as demandas das feministas, não se deve perder de vista o fato de que elas não podem, tendo em conta a sua posição de classe, lutar pela transformação fundamental da estrutura econômica e social contemporânea da sociedade, sem a qual a libertação das mulheres não pode ser completada.

Claro que muita coisa mudou nesse debate, desde então. Mas a revolução que Alexandra ajudou a construir trouxe medidas radicais e inéditas de emancipação feminina. Aboliu, por exemplo, a inferioridade legal das mulheres e extinguiu a obrigatoriedade do casamento religioso. Simplificou o divórcio e ampliou a garantia do pagamento de pensões alimentícias. Remuneração igual para trabalho igual entre mulheres e homens também ganhou força de lei.

Mais tarde a reação conservadora stalinista viria a enterrar muitas dessas conquistas. Mas elas nunca deixaram de servir como referência fundamental para a luta das mulheres em todo o mundo. Alexandra é mais uma personagem do livro “Parteiras da Revolução”, de Jane McDermid.

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2 de maio de 2017

Alexandra Kollontai e o amor que algema

Ela foi a primeira mulher a integrar o primeiro escalão de um governo. O governo bolchevique nos anos de 1917-1918. Também foi a primeira mulher a ser nomeada embaixadora. Estamos falando de Alexandra Kollontai.

Mas muito anos antes de se tornar uma grande liderança da Revolução Russa, ela já era incansável militante da luta pelos direitos e pela liberdade das mulheres no movimento socialista. Sempre enfrentando resistências no interior do Partido Bolchevique e da esquerda em geral.

Mas em sua autobiografia chama a atenção um outro tipo de dificuldade:

...é preciso dizer que eu ainda estou muito longe de ser o tipo de mulher positivamente nova. (...) ainda pertenço à geração de mulheres que cresceu num momento crítico da História. O amor e suas muitas decepções, com suas tragédias e eternas reclamações pela perfeita felicidade, ainda cumpriram um papel muito importante em minha vida. Um papel demasiado importante!

Alexandra refere-se às inúmeras vezes em que “o amor transformava-se em algema”. Esses momentos surgiam quando seu companheiro passava a ver nela:

...somente o elemento feminino, o qual tentava transformar em uma conveniente caixa de ressonância do seu próprio ego. E dessa forma, repetidas vezes chegou o inevitável momento em que tive que me desembaraçar das correntes da comunidade com um coração dolorido, mas com uma vontade soberana e não influenciada.

Exatamente por isso, Alexandra nunca deixou de lutar por “uma nova moral sexual”, como “alvo mais elevado” de sua atividade e de sua vida. Uma luta que mostra que até as maiores revoluções representam apenas os primeiros passos em qualquer processo de verdadeira libertação humana.

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