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25 de julho de 2016

Vito Giannotti contra a ditadura do capital

Um ano atrás, a causa socialista perdia Vito Giannotti. O Núcleo Piratininga de Comunicação, fundado por ele e Claudia Santiago, fez uma homenagem em 21/07. Entre as atividades, uma palestra de Reginaldo Moraes, um de seus mais antigos companheiros de luta.

“Régis” lembrou os duros tempos em que ele e Vito foram obrigados a militar clandestinamente. Sob a ditadura empresarial-militar de 1964, fazer política de esquerda era risco de morte ou tortura.

Apesar disso, Vito estava entre os que achavam que só o trabalho de base e a luta de massas poderiam apontar alguma saída.

O jovem italiano que chegou ao Brasil em plena ditadura escolheu ir para as fábricas metalúrgicas. Não apenas para ensinar e pregar a resistência.

Seus colegas de trabalho eram quase todos de origem pobre, pouco letrados e nada sabiam sobre as lutas históricas dos trabalhadores do mundo. Mesmo assim, Vito compreendia que eram eles seus melhores professores na construção da resistência.

Vito foi preso e torturado, sem jamais desistir da luta democrática e da defesa do socialismo. Acima de tudo, sem deixar de apostar num processo revolucionário construído de baixo para cima. 

A ditadura política foi derrotada graças a guerreiros como Vito. Mas ele sabia que a ditadura econômica continuava firme. Por isso, jamais deixou de lutar e nunca abandonou o trabalho de base, a disputa de hegemonia e o respeito à voz de explorados e oprimidos.

Infelizmente, não é o que faz grande parte da esquerda, encastelada em seus aparelhos e estruturas, rendida ao senso comum e de costas para as ruas.

Vito faz mais falta do que nunca.

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12 de agosto de 2015

Vito Giannotti e a história da luta dos trabalhadores

Edson Dias
Em seu livro “História das lutas dos trabalhadores no Brasil”, Vito Giannotti explica porque a classe trabalhadora tem que contar sua própria história.

Segundo ele, na história oficial só são citados “presidentes, ministros, generais, reis e rainhas”. Fala-se de tudo, “só não se fala dos trabalhadores”. Para comprovar, Vito apresenta um documentário da editora Abril, de 1989, centenário da proclamação da República.

Destaca, especialmente, os vinte anos entre 1944 e 1964. Período marcado pela forte presença da classe operária, milhares de greves, manifestações e lutas no campo e na cidade. Todas travadas corajosamente por homens e mulheres e que só seriam barradas pela repressão sanguinária e covarde do golpe de 1964.

Mas, diz Vito, o documentário focaliza aquele pedaço da História do Brasil sem que apareçam as palavras “operário”, “greve” ou “classe trabalhadora”. E exemplifica com um levantamento de quantos segundos a produção dedica a “vários fatos ou factoides” daquele período:

- Cassação do PCB, partido com 16 deputados federais = 5 segundos
- Criação da Petrobrás = 7 segundos
- Cassação de um ilustre desconhecido e insignificante deputado, fotografado de casaca e cueca = 12 segundos
- Derrota da candidata brasileira no “Miss Universo” = 17 segundos
- Quantas vezes é falada a palavra greve = nenhuma
- Quantas vezes é falada a palavra operário = nenhuma
- Quantas vezes é falada a palavra classe operária = nenhuma

“Esta é uma bela aula de como a burguesia trata nossa história”, conclui ele. E uma linda aula de um mestre da comunicação e educação para a revolução e a liberdade, concluímos nós.

Valeu, de novo, Vitão!

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Vito Giannotti e a conjuntura do satanás

3 de agosto de 2015

Vito Giannotti e a conjuntura do satanás

Vito Giannotti gostava de contar uma historinha engraçada para demonstrar a importância da comunicação para a organização dos trabalhadores.

Nos anos 1980, na saída de uma reunião sindical, ele conversava com um operário iniciante na militância:

- Vito: E aí, rapaz, gostou da reunião?
- Gostei, sim. Só não entendo porque a gente não junta forças pra atacar logo o inimigo principal?
- Vito: Qual inimigo, os patrões, a Fiesp, o governo?
- Não. Essa tal de conjuntura!
- Vito: Como assim? Não tô entendendo?
- Ué, na reunião, o pessoal ficava falando “a conjuntura não ajuda”, “a conjuntura tá contra nós”, “a conjuntura é desfavorável”. Então, a gente tem que acabar com essa conjuntura, logo. Fazer picadinho desse satanás!

Aquela conversa mostrou a Vito que um dos maiores problemas para a organização dos trabalhadores não era só patrão, Fiesp, governo. Também era nossa incapacidade de nos comunicar com as “pessoas normais”, como ele dizia.

Sem isso, continuaremos a falar apenas por algumas dúzias de pessoas iniciadas. Afinal, para mudar, transformar, revolucionar a sociedade, é preciso falar para milhões de “pessoas normais”. Do contrário, não travamos a disputa de hegemonia para fazer a visão libertadora dos explorados prevalecer.

Esta era a grande luta de Vito Giannotti. Por isso, seus vários livros em linguagem simples, direta, cortante, sem perder a radicalidade. Daí, a publicação de “Manual de Linguagem Sindical”, “Dicionário de Politiquês”, “Muralhas da Linguagem”...

Desde aquela conversa, a obra de Vito vem nos ajudando muito a superar esse problema. Só o que não mudou tanto assim foi a conjuntura, que continua sendo uma coisa do satanás!

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Tchau não, Vito. Ciao!

28 de julho de 2015

Tchau não, Vito. Ciao!


Vito Giannotti gostava muito da canção “Bella Ciao”.

Italiana, ela teria surgido como um canto de camponesas que trabalhavam por temporada em plantações de arroz na planície de Padana.

Tornou-se música de protesto contra a Primeira Guerra e símbolo da Resistência Italiana contra os fascistas durante a Segunda Guerra.

Como muitos dos mais corajosos e determinados antifascistas eram anarquistas, Bella Ciao tornou-se um hino muito identificado com o anarquismo.

Vito também tinha fama de ser anarquista. É que o italiano internacionalista nunca se curvou à ortodoxia stalinista ou qualquer outra. Sempre foi plural em seu marxismo revolucionário.

Desde os tempos da Oposição Metalúrgica em São Paulo, ele lia, debatia, divulgava Gramsci, Pannekoek, Rosa. Não apenas Lenin ou Trotsky.

Outra razão para ser considerado anarquista é que Vito colocava acima de tudo as decisões tomadas pelas bases, aprovadas o mais democraticamente possível. Algo que aprendeu com a história dos conselhos de trabalhadores, seja na comuna parisiense, em Turim ou na Rússia revolucionária, com seus sovietes.

Vito não se incomodava com sua fama de anarquista. Ao contrário, para ele ser revolucionário era inseparável de ser libertário. Por isso, sempre cantava a Internacional Socialista acompanhada de “Bella Ciao”, ambas a plenos pulmões.

Na letra, uma camponesa diz que depois de morta, seu corpo enterrado semeará rosas da liberdade. E é exatamente isso que acontece a combatentes 
como Vito Giannotti. 

Mas é preciso lembrar um detalhe muito especial: “ciao” em italiano não é como o nosso “tchau” adaptado. Quer dizer tanto “até logo” como “olá”.

Então, até logo, Vitão. Continuaremos a te encontrar nas muitas lutas que virão.

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Vito Giannotti (1943...)

26 de julho de 2015

Vito Giannotti (1943...)


É foda! Vito se foi.
Nos deixou um monte de ensinamentos.
Um dos mais importantes: continuar aprendendo sempre.
Tudo isso em meio a muitos palavrões carinhosos.
Mas ele tá muito vivo, porra!

Agora, um pouco de luto.
Só o bastante pra continuar na luta que ele jamais abandonou.

Bem unido façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional...


Valeu, Vitão!