Em 31/01, o Gas-PA, rapper do
coletivo de hip-hop “Lutarmada” deu uma entrevista ao site Polifonia Periférica.
O depoimento mostra que os 25 anos de estrada não atenuaram nem cansaram a
trajetória radical e combativa do artista. O compromisso com a luta continua o mesmo
e mais forte. Um trecho demonstra isso muito bem:
O falar do escravizado era um falar
entupido de condicionantes. Sob pena de castigos ultra severos a sua fala era
medida no volume e no tom da voz, na velocidade da resposta, na escolha certa
das palavras e na postura corporal. A vontade era de mandar geral se fuder, mas
o desejo era contido pela noção do perigo que isso representava. Mas nos
momentos em que o escravizado não estava sob a vigilância de seus superiores
hierárquicos, toda essa angústia, todo esse ódio reprimido era extravazado
através da música e da dança. Os momentos de celebração do escravizado era um
momento de catarse. Isso significa que a música afrobrasileira é na sua origem,
na sua gênese uma música de protesto, de luta, uma válvula de escape pra todo sofrimento,
toda angústia sofrida, e expressão de todo anseio de liberdade dos meus
antepassados. Taí a capoeira que não me deixa mentir. É dança e música que ao
mesmo tempo é luta corporal, fruto do mesmo contexto ao qual me refiro. O que
eu faço desde 1991 nada mais é do que ser fiel às minhas origens e à origem da
música da diáspora africana no Brasil!
A entrevista toda merece ser lida. Até porque a mensagem
final é clara: Revolução Socialista! Confira aqui.

