A Vidraça
é uma agressão
Olhar cobiçar
Não por a mão!
(Ciro)
Vários setores de esquerda reproduzem um tom cada vez mais
ameaçador contra o “vandalismo” em manifestações.
O clima de apoio à violência das ruas começou a virar. Se no
auge das manifestações de junho parte expressiva da população se colocou contra
a violência policial e defendeu o
direito dos manifestantes até mesmo usarem autodefesa, agora é a própria
esquerda que ataca os “vândalos”. Mas como a violência é o substrato de toda
política, a ausência do direito de autodefesa devolve à polícia o direito de
violentar os manifestantes.
O caráter “pacífico” de manifestações de rua não é resultado
dos céus e sim de uma relação de forças. Os manifestantes aceitam a violência
da vidraça e, assim, PMs sem identificação na farda “permitem” o desfile pelas
ruas em roteiro definido para não “atrapalhar” o trânsito. O que aconteceu em
junho é que a relação de forças mudou e as vidraças violentas do luxo
capitalista perderam espaço para as pessoas. Mas isto durou pouco.
Agora, com apoio da
esquerda, vamos retornar às letais balas de borracha ou “avançar” para
balas democrático-populares do governador petista da Bahia, Jacques Wagner, o
qual defendeu os “tiros de advertência” que seu subsecretário de segurança
lançou contra o MST.
Quanto à esquerda, reproduzo a mensagem do poeta que assina
a epígrafe acima:
“Por que diabos não podemos aceitar que o anarquismo existe, e que
dialoga com a massa em momentos de lucidez e horror, e que não tem programa
porque o ‘etapismo’ é chato, a ‘revolução permanente’ não tem fim e o ‘acúmulo
de forças’ é cansativo?”
Lincoln Secco