O bolsonarismo só existe como mobilização permanente. A pandemia retirou os holofotes de suas performances bizarras. E por um motivo óbvio. Seu discurso sempre teve como base uma doença imaginária. O corpo nacional íntegro, são e masculino só poderia ser violado pela “ideologia” que é tão invisível quanto o covid 19. A “ideologia” não pode ser vista, mas suas manifestações são sentidas no modo de vida. Aquele que acredita no discurso (ideológico) contra a ideologia sabe que seu inimigo está enraizado no cotidiano. Por mais que deseje a submissão da mulher, a erradicação da homossexualidade, o controle da educação e o fim das artes, reconhece que isso não é possível e que o “vírus” ideológico pode estar dentro dele mesmo. O líder manipula exatamente esse sentimento para a mobilização perene. Promete repressão para os que já se reprimem.O trecho acima é de um texto de Lincoln Secco, militante marxista, petista e historiador. Está disponível aqui e merece ser lido na íntegra, pois também alerta para uma outra “doença” presente entre nós. O imobilismo continua a contagiar as lideranças dos movimentos sociais, mesmo quando há divisões nas fileiras do inimigo.
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Ora, diante de um vírus real a manipulação entrou num curto circuito. As pessoas passaram a temer uma ameaça verdadeira.
Como saída, Lincoln propõe que a classe trabalhadora inicie uma “greve geral humanitária internacionalista”, diz ele. Uma resposta que, sendo bem sucedida, “vai mudar radicalmente a conjuntura. Porque isso só acontece a partir da base produtiva e não de disputas parlamentares”.
É isso! Uma resposta global para dois flagelos globais: a pandemia e o capitalismo.
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