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25 de agosto de 2022

Sementes que brotam, tratores que queimam

Eles vestem verde e carregam armas. Andam pela floresta queimando coisas. Estão furiosos com a morte de seus companheiros, mas buscam serenidade no exemplo de bravura dos que tombaram.

São dezenas e carregam espingardas, pistolas, facões, arcos e flechas. São os Guardiões da Floresta. Seu território é o Arariboia. Fica no Maranhão, na zona de transição entre o Cerrado e a Amazônia. Dois dos biomas mais destruídos pela cobiça e truculência da poder econômico.

O grupo tem dez anos, o que mostra que a omissão do Estado é antiga. Em tempo de Bolsonaro, a omissão transformou-se em ação cúmplice.

Eles visitam aldeias para convencer seus membros a não se associarem às atividades de destruição ambiental promovidas pelo poder econômico. Nesses momentos, são as mulheres guardiãs que assumem a frente no diálogo com a comunidade. Mas elas também não dispensam o uso de armas.

Entre suas tarefas, está a destruição de equipamentos dos criminosos ambientais. Madeireiros ilegais, principalmente. Caminhões e tratores ardem. É o único tipo de queimada que alivia o coração dos indígenas e da floresta.

Em junho de 2022, os araribóia receberam no Maranhão seus parentes amazonenses do Vale do Javari para aprender com eles como se defender. O encontro foi promovido por Bruno Pereira. Pouco depois, ele seria covardemente assassinado. “Quando uma árvore tomba, muitas sementes caem no chão e brotam novamente”, disseram os indígenas ao homenagear sua memória.

Os Guardiões da Floresta têm suas próprias tradições e sabedoria. Mas estão fazendo como os Panteras Negras, zapatistas e quilombolas. E eles estão certos.

Com base em reportagem de Daniel Camargos para o Repórter Brasil

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30 de junho de 2022

Tristeza e revolta por Bruno e Dom

Nós, ativistas do Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato, hoje enterramos Bruno, nosso irmão mais velho. Hoje, a terra onde ele nasceu o recebe, seu corpo reencontra o barro, as raízes das plantas, a água e o calor do solo. Seu corpo carrega o perfume salgado do mar e o aroma denso da mata que ele defendeu até que os destruidores da floresta o mataram de forma traiçoeira. Nossos olhos misturam lágrimas de tristeza profunda e de revolta intensa. Mataram Bruno e seu amigo Dom à beira do rio Itacoaí, numa manhã de domingo de fim de inverno, quando ele voltava de uma temporada junto aos seus melhores amigos, junto aos seus melhores mestres, com os quais ele aprendeu a entoar os cantos da festa.

(...)

Nossa tristeza é imensa como o dossel da floresta, nossa raiva é forte como a raiz da castanheira. Nossa ternura é limpa e abraça a Bia, aos filhos de Bruno, a toda a sua família, a aldeia infinita dos seus amigos espalhados pelo mundo. De nossa parte, continuaremos a luta, estamos em guerra, não vamos parar! Onde cai um, surgirão muitos outros, tenham certeza, “simbora”, como diria Bruno. Não vamos esquecer quem verdadeiramente matou nosso irmão mais velho, jamais!

Os trechos acima são da “Nota de tristeza e revolta do Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato”. Belíssima homenagem, merece ser lida na íntegra.

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